Coréia do Norte não deve ser alvo de ataque militar imediato, diz especialista

O diretor do programa de não- proliferação nuclear do Instituto Internacional para Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês), Mark Fitzpatrick, acredita que o teste nuclear realizado pela Coréia do Norte não deve provocar uma resposta militar imediata, mas elevou acentuadamente a tensão na região "De imediato, poderemos ver movimentos mais agressivos dos Estados Unidos e Japão com uma ação coordenada para promover um bloqueio naval contra a Coréia do Norte, mas um ataque militar no curto prazo é improvável" disse o especialista em entrevista exclusiva à Agência Estado. "A defesa contra a ameaça norte-coreana passa a ocupar agora um papel ainda mais proeminente na agenda de países como o Japão e Coréia do Sul, estressando a estabilidade geopolítica no leste asiático." Além disso, acrescentou, "o temor que os norte-coreanos exportem artefatos nucleares aumentou ainda mais, representando mais um ingrediente de risco para a estabilidade geopolítica da região". Antes de ocupar um posto no instituto sediado em Londres, Fitzpatrick trabalhou durante 26 anos no Departamento de Estado norte-americano, tendo inclusive o cargo sub-secretário para não-proliferação, no qual era responsável pelas políticas da Casa Branca para lidar com os programas nucleares da Coréia do Norte, Irã e Líbia.Segundo ele, o Japão está diante da situação mais delicada. "Praticamente todos os mísseis norte-coreanos de longo alcance estão apontados para o território japonês", afirmou. "Isso deverá aumentar a pressão política doméstica para que o Japão aumente seu poderio militar." No entanto, ele acredita que "enquanto estiver seguro que pode contar o arsenal nuclear dos Estados Unidos, o Japão não deverá adotar reações extremas". Furioso O governo chinês, segundo Fitzpatrick, ficou "furioso" com o teste nuclear norte-coreano. "A reação de Pequim ainda é um grande ponto de interrogação", disse. "Mas o governo chinês deve em breve reconsiderar o apoio econômico que dá à Coréia do Norte, como no abastecimento de petróleo e alimentos."A mesma atitude poderá ser tomada pela Coréia do Sul, que ao longo dos últimos anos vinha estreitando sua cooperação econômica com o regime de Pyongyang. "Os sul-coreanos não se consideram ameaçados pelo Coréia do Norte, mas a partir de agora a questão militar terá mais relevância na postura de Seul", afirmou.Os Estados Unidos, segundo Fitzpatrick, deverá inicialmente adotar ações econômicas e diplomáticas contra o governo norte-coreano. "Isso deverá ocorrer através do controle de fluxos financeiros, do comércio e numa ofensiva agressiva de Washington para que o Conselho de Segurança da ONU aprove novas medidas para aumentar a pressão sobre a Coréia do Norte", disse.

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