Coreia do Norte 'não tem para onde ir', diz Hillary

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse hoje que a Coreia do Norte, que se recusou mais uma vez a abrir mão de seu programa de armas nucleares, "não tem para onde ir" e não "tem mais amigos" para lhe dar cobertura contra as penalidades impostas pela Organização das Nações Unidas (ONU). "O empenho da Coreia do Norte em suas ambições nucleares vai elevar as tensões na península coreana e pode provocar uma corrida armamentista na região", disse Hillary durante uma coletiva de imprensa após discutir o assunto com representantes de 26 países e organizações. Ela citou a quase unanimidade dos países em reforçar as últimas sanções da ONU contra a Coreia do Norte por seus novos testes nucleares e com mísseis.

AE-AP, Agencia Estado

23 de julho de 2009 | 13h19

Hillary disse que os Estados Unidos vão continuar a insistir que a Coreia do Norte retorne à mesa de negociações e que desmanche, de uma forma que possa ser acompanhada, seu programa nuclear. Ao mesmo tempo, ela lançou a perspectiva de restaurar os laços diplomáticos com a Coreia do Norte - ação que a administração Obama quer considerar apenas se os norte-coreanos tomarem medidas irreversíveis de encerramento de seu programa nuclear.

Antes de voltar para Washington, após uma viagem de uma semana à Índia e à Tailândia, Hillary enviou uma mensagem mais otimista a outro país considerado um problema na região: Mianmar, o estado do sudeste asiático governado por uma junta militar. "Há um direcionamento positivo no que vimos em relação a Mianmar", disse ela. Hillary elogiou o governo de Mianmar por prometer colocar em prática as sanções contra a Coreia do Norte, dizendo que a medida é importante, tendo em vista os suspeitos laços militares entre Mianmar e a Coreia do Norte.

Hillary disse que o mundo - incluindo a China, que tem sido a apoiadora mais leal da Coreia do Norte - deixou claro a Pyongyang que o país "não tem para onde ir". "Eles não tem mais amigos que os protegerão dos esforços da comunidade internacional para que haja um desmantelamento do programa nuclear". Pouco antes de ela fazer o pronunciamento, na ilha tailandesa de Phuket, um porta-voz da delegação norte-coreana disse que seu governo não vai retornar às conversações com os EUA, Japão, Coreia do Sul, China e Rússia, citando a "enraizada política contra a Coreia do Norte" dos EUA. A negociações multilaterais estão acabadas", disse Ri Hung Sik.

Resposta

A Coreia do Norte também rebateu as declarações de Hillary de que o regime comunista agiria como uma crianças que quer atenção. Pyongyang chamou a diplomata de "estudante primária". A secretária de Estado fez o comentário durante uma entrevista à rede ABC, transmitida segunda-feira da Índia, acusando Pyongyang de usar seu programa nuclear e o lançamento de mísseis para chamar a atenção de Washington. Ela disse que os EUA não serão importunado pela provocações norte-coreanas.

"Talvez seja a mãe que existe em mim, a experiência que eu tenho com crianças pequenas e adolescentes e com pessoas que exigem atenção. Não dê o que eles querem", disse ela durante uma entrevista. Hoje, o Ministério de Relações Exteriores da Coreia do Norte respondeu afirmando que o país não quer a atenção de ninguém.

A Coreia do Norte "tem tomado as medidas necessárias para proteger a soberania do país e seu direito de existir para lidar com a política hostil norte-americana e sua ameaça nuclear, não atrair a atenção de ninguém", disse o Ministério em comunicado divulgado pela agência de notícias oficial norte-coreana. "Não podemos fazer nada a não ser considerar a senhora Clinton como uma mulher engraçada já que ela gosta de usar tal retórica, sem levar em conta a etiqueta elementar da comunidade internacional. Algumas vezes ela parece uma estudante primária", diz o documento.

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