Coreia do Norte pede nova investigação sobre naufrágio de corveta ao CS

Em investigação internacional, Seul culpou Pyongyang por afundamento de navio que deixou 46 mortos

Reuters,

30 de junho de 2010 | 20h04

NOVA YORK- A Coreia do Norte pediu ao Conselho de Segurança da ONU que faça uma nova investigação sobre o naufrágio da corveta sul-coreana pelo qual Pyongyang foi acusado, afirmando que pode cooperar com o Sul desta vez, de acordo com um documento obtido pela Reuters nesta quarta-feira, 30.

 

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"Nós partilhamos da visão de que o modo mais racional de resolver este incidente é que o Sul e o Norte sentem juntos para investigar a favor da verdade", afirmou Sin Son-ho, embaixador norte-coreano na ONU, em uma carta datada de 29 de junho ao presidente do Conselho de Segurança do órgão, o mexicano Claude Heller.

 

Membros ocidentais do Conselho rejeitaram uma nova investigação, ressaltando a validade de um inquérito internacional conduzido por Seul que apontou Pyongyang como responsável pelo afundamento do navio de guerra Cheonan, no qual 46 marinheiros morreram em 26 de março. A Coreia do Norte negou sua culpa e afirmou que o resultado da investigação é incorreto.

 

Sin afirmou em sua carta que o Conselho de Segurança deveria "tomar medidas que permitam aos Estados Unidos e à Coreia do Sul receberem um grupo de inspeção da Comissão de Defesa Nacional, como já foi pedido pela Coreia do Norte, a vítima, para ajudar a verificar o resultado da investigação e descobrir a verdade".

 

O porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, P.J. Crowley, afirmou que outra investigação não é necessária: "Nós não achamos que outra investigação é necessária nesse ponto", disse Crowley a repórteres em Washington. "Nós não vamos nenhuma ambiguidade nela e é hora da Coreia do Norte assumir a responsabilidade por suas ações".

 

Uma carta separada da Coreia do Sul enviada ao CS, também obtida pela Reuters, afirma que o naufrágio do navio foi uma violação ao armistício firmado em 1953 entre os dois países e deveria ser discutido no âmbito da trégua da Guerra da Coreia.

 

O episódio do navio elevou a tensão entre as duas Coreias, tecnicamente em guerra desde 1950, quando começou a Guerra da Coreia. O conflito nunca foi formalmente encerrado e os dois lados permanecem apenas em trégua, embora haja atritos frequentemente.

 

Outra questão que gera impasse é o programa nuclear norte-coreano, considerado uma ameaça pelo sul. Pyongyang se recusa a retornar à mesa de negociações para abandonar os projetos atômicos e diz que só o fará se a Guerra da Coreia for encerrada formalmente.

 

Sem  repreensão

 

O Conselho de Segurança tem discutido uma possível repreensão à Coreia do Norte, mas a China, único grande aliado de Pyongyang, mostra-se relutante a permitir qualquer crítica direta que possa provocar retaliação do país vizinho.

 

Assim como Rússia, Estados Unidos, Reino Unido e França, a China é membro permanente do Conselho de Segurança, tem poder de veto e é capaz de bloquear qualquer iniciativa do conselho.

 

Diplomatas ocidentais do conselho afirmaram que um acordo do G-8 realizado no sábado está muito perto do tom que eles vêm considerando em Nova York para uma resolução do conselho ou comunicado sobre o naufrágio do Cheonan.

 

Em sua carta, Sin também pediu que o conselho apoie a solicitação da Coreia do Norte por conversações militares de alto escalão com a Coreia do Sul.

 

Pyongyang havia dito no domingo que estava preparada para uma negociação militar com Seul para debater o afundamento do Cheonan, mas apenas se uma comissão de armistício que supervisiona a trégua da Guerra da Coreia não se envolvesse.

 

Um respeitado diplomata ocidental descreveu a carta de Sin como "mais moderada e mais comedida" do que os comunicados recebidos com frequência pelo conselho vindos da missão norte-coreana. A Coreia do Norte já ameaçou transformar Seul num "mar de fogo".

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