Coréia do Norte pede que Rússia perdoe dívida de US$ 8,8 bi

A Coréia do Norte pediu nesta sexta-feira, 23, que Rússia perdoe uma dívida de US$ 8,8 bilhões, ao alegar que não pode cumprir o pagamento devido às sanções impostas pelos Estados Unidos."A parte norte-coreana diretamente e com franqueza diz que nãoestá em situação de saldar a dívida contraída com a Rússia", disse o chefe do Serviço Federal de Controle Ecológico, Tecnológico e Nuclear russo, Konstantin Pulikovski, citado pelas agências locais.O ministro do Comércio Exterior norte-coreano, Lim Kyong Man, que chegou nesta sexta a Moscou para negociar o perdão da dívida e outros projetos de cooperação econômica, pediu a Moscou "uma decisão política" sobre o assunto.Pulikovski, amigo pessoal do líder norte-coreano, Kim Jong-il,disse que essa decisão só pode ser tomada pelos "dirigentes dos dois países", mas se disse otimista quanto a uma solução do problema antes do fim do ano.Até agora, a Rússia tinha manifestado sua disposição de negociaro perdão de 80% da dívida contraída por Pyongyang, cuja economia sustenta-se na autarquia há mais de meio século.EmpréstimosMetade desta dívida foi contraída com a União Soviética, queconcedeu ao regime norte-coreano empréstimos para a construção de centrais elétricas.Além disso, as duas partes discutiram diversos projetosconjuntos, como a extensão de linhas de alta voltagem para fornecer energia elétrica a Pyongyang a partir do Extremo Oriente russo ou o fornecimento de 50 mil toneladas de carvão anuais.A Coréia do Norte também mostrou-se interessada na participação de companhias russas na construção de uma central hidrelétrica e na reconstrução de outras duas projetadas por engenheiros soviéticos.Durante a reunião da comissão intergovernamental de cooperaçãoeconômica, comercial e científica, também foi abordada a necessidade de determinar o itinerário da nova linha férrea transcoreana, projeto estagnado devido ao conflito nuclear.O presidente russo, Vladimir Putin, mostrou-se recentementedisposto a fortalecer as relações bilaterais com Pyongyang, aoreceber a credencial do novo embaixador norte-coreano, Kim Yen Jue.Em 2006, o volume de comércio exterior entre os dois países foide mais de US$ 209,7 milhões, o valor mais alto desde a queda da URSS (1991).A Rússia, que compartilha com a Coréia do Norte uma fronteiraterrestre de cerca de 20 quilômetros, é uma das poucas aliadas com do isolado regime comunista no âmbito internacional.

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