Coréia do Norte pede retirada de equipes de observadores da ONU

A Coréia do Norte determinou ontem a retirada das equipes de observadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão ligado à ONU, das instalações nucleares de Yongbyon, suspeitas de produzirem armas nucleares. O governo norte-coreano afirmou ter pedido reiteradamente à AIEAque removesse seu equipamento de vigilância do local porquepretende "retomar a produção de eletricidade em Yongbyon",situada 80 quilômetros ao norte da capital, Pyongyang.Temendo o agravamento da crise, a Coréia do Sul e o Japão qualificaram a situação de "extremamente grave" e o secretário americano de Estado, Colin Powell, exortou os norte-coreanos a voltarem atrás e não retomarem as obras nesta unidade sob vigilância da ONU.A atividade nas usinas atômicas da Coréia do Norte, capazes de produzir plutônio para fins bélicos, tinha sido congelada por um acordo de 1994 entre esse país e os EUA. Ficara acertado que, em troca da suspensão das obras nas instalações suspeitas, os americanos forneceriam petróleo a Pyongyang e construiriam reatores de uso civil, para suprir o país de energia elétrica. A Coréia do Norte é um Estado isolado internacionalmente e com graves problemas econômicos. A AIEA fechou as instalações norte-coreanas e ficou encarregada de supervisionar o acordo. Na época, a Casa Branca considerou que esse acerto eliminava a possibilidade de uma guerra na Península Coreana.No entanto, há algumas semanas o governo norte-coreano admitiu, inesperadamente, ainda manter um programa de armas nucleares. Suspeita-se que seu objetivo fosse obter mais ajuda externa, mas os EUA e aliados suspenderam seus embarques de petróleo a Pyongyang, a fim de pressionar o país a suspender o programa armamentista. Em resposta, no dia 12 a Coréia do Norte informou ter planos de reativar as unidades paralisadas.Especialistas em armamento crêem que o país fabricou uma ou duas armas usando plutônio extraído do reator de Yongbyon nos anos 90. Há o receio de que, agora, reprocesse plutônio separado desse mesmo reator e estocado sob supervisão da AIEA. "Eles poderão construir mais cinco ou seis armas nucleares dentro de meses, se retomarem o processamento", disse o senador americano Joseph Biden, que preside a Comissão de Relações Exteriores do Senado.

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