Coréia do Norte pede união das Coréias contra os EUA

Diante do crescente sentimento anti-EUA na Coréia do Sul - por causa da absolvição de dois militares norte-americanos que atropelaram e mataram duas jovens sul-coreanas -, as autoridades na Coréia do Norte pediram hoje a "todos os coreanos no Norte, no Sul e no exterior" que se unam para fazer frente aos EUA. "Esta é uma urgente tarefa nacional - impedir o perigo de uma guerra e preservar a paz na Península Coreana."A Coréia do Norte foi incluída no ano passado por Bush no chamado "eixo do mal", com Irã e Iraque.A Coréia do Norte prometeu construir uma "poderosa nação" com base no Exército e desafiou as pressões dos EUA para que renuncie ao programa nuclear com fins militares.A Córeia do Norte sustenta que os EUA se estão preparando para atacá-la apesar de o presidente George W. Bush ter dito na terça-feira que a disputa com o Estado comunista poderá ser solucionada por meio da diplomacia.As autoridades norte-coreanas, em discurso pelo ano-novo pediram aos compatriotas que se unam sob "a bandeira de uma política com base no Exército" para encarar uma possível invasão norte-americana. "Os EUA se estão tornando cada vez mais frenéticos em suas ações para sufocar (a Coréia do Norte), falando abertamente de um ataque preventivo", indicou o discurso, retransmitido pela agência de notícias oficial. A nota, divulgada em inglês, não mencionou os crescentes temores da comunidade internacional diante da decisão do país de reativar o reator nuclear de Yongbyon - que poderia ser usado para fabricar armas atômicas. O presidente eleito da Coréia do Sul, Roh Moo-hyun, que venceu as eleições de 19 de dezembro ajudado em parte pelo sentimento anti-EUA no país, advertiu terça-feira que "não se deve seguir cegamente a política americana". "Os EUA deveriam consultar a Coréia do Sul em vez de adotar unilateralmente decisões e esperar depois que a Coréia do Sul as siga", afirmou Roh, que iniciará em fevereiro seu mandato de cinco anos. Roh respalda a política de "claridade" do atual presidente sul-coreano Kim Dae-jung de prosseguir o diálogo com a Coréia do Norte, como a única solução viável para resolver por meios pacíficos o conflito nuclear.Um enviado da Coréia do Sul, o vice-chanceler Lee Tae-shik, chegou hoje à China para tentar encontrar com funcionários chineses uma solução para a crise. Diplomatas disseram que Lee deverá exortar a China, um importante aliado da Coréia do Norte, a ter um envolvimento mais ativo para resolver o impasse.A crise foi provocada pela decisão da Coréia do Norte de reativar seu reator nuclear de Yongbyon para suprir as necessidades de energia depois de EUA e aliados suspenderem o fornecimento de petróleo. A suspensão foi decidida em novembro, depois que um funcionário norte-coreano revelou que Pyongyang estava mantendo secretamente seu programa nuclear, violando o acordo de 1994.

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