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Coreia do Norte planeja concluir montagem de foguete nesta terça-feira

Pyongyang pretende lançar o satélite entre os dias 12 e 16, desafiando oposição da comunidade internacional

Cláudia Trevisan e Lisandra Paraguassu , Enviadas Especiais, Tongchang-Ri, Coreia do Norte, O Estado de S.Paulo,

10 de abril de 2012 | 08h28

TONGCHANG-RI, COREIA DO NORTE - A Coreia do Norte planeja concluir nesta terça-feira, 10, a montagem do foguete e do satélite que pretende lançar em algum momento entre os dias 12 e 16, desafiando oposição quase unânime da comunidade internacional.

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O governo de Pyongyang insistiu ontem que o projeto tem caráter pacífico e é um presente do povo coreano para Kim Il-sung, o presidente que morreu em 1994 e cujo centenário será celebrado domingo.

Mas os críticos do lançamento sustentam que ele contraria resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) que proíbe o país de realizar lançamentos de foguetes que usem tecnologia de mísseis balísticos _ os dois primeiros estágios do Unha-3 que colocará o satélite em órbita têm origem no míssil Taepodong-2, testado em 2006.

"Nós não aceitamos resoluções do Conselho de Segurança que violam nossa soberania", declarou ontem o vice-diretor do Comitê de Tecnologia Espacial da Coreia do Norte, Ryu Kum Chol, em uma rara entrevista coletiva para a imprensa estrangeira. Segundo Ryu, o país tem direito à exploração pacífica do espaço, nos termos do Tratado do Espaço.

O lançamento do satélite ocorre em uma semana decisiva para a consolidação do poder de Kim Jong-un, o jovem de 29 anos que assumiu o comando da potência nuclear em dezembro, depois da morte de seu pai, Kim Jong-il.

Nesta quarta-feira, Kim Jong-un poderá ser eleito secretário-geral do Partido dos Trabalhadores, o mais alto posto dentro da organização fundada por seu avô, Kim Il-sung, cujo centenário de nascimento será celebrado no domingo.

Outro passo poderá ser dado na sexta-feira, quando a Assembleia Suprema do Povo provavelmente nomeará Kim Jong-un para o comando da Comissão Nacional de Defesa, o posto de maior poder de fato dentro do país.

As celebrações do centenário têm enorme significado político para Kim Jong-un, que tenta reproduzir a aparência, os gestos e o estilo de seu avô, venerado como um pai pelos norte-coreanos. A identificação é uma forma de legitimar sua escolha aos olhos da população e fortalecer seu poder dentro da elite dirigente.

Se for bem sucedido, o lançamento do satélite será apresentado à população como uma conquista tecnológica da Coreia do Norte e um passo na construção da nação "forte e próspera" que havia sido prometida para 2012.

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