Coreia do Norte pode disparar mais mísseis antes de negociação

Apesar de ter lançado testado 5 projéteis na segunda-feira, Pyongyang mantém reunião com Seul nesta semana

estadao.com.br,

13 de outubro de 2009 | 09h31

A Coreia do Norte se prepara para disparar mais mísseis de curto alcance, disse numa possível tentativa de reforçar seu poder de barganha com vistas às eventuais negociações sobre o fim do seu programa de armas nucleares. Mas, menos de um dia depois de Pyongyang assustar a região com seu primeiro teste de mísseis em cerca de três meses, o regime também concordou em estabelecer discussões com Seul a respeito de questões intercoreanas, sinalizando que não está fechado ao diálogo.

 

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Uma fonte do governo disse à agência sul-coreana Yonhap nesta terça-feira, 13, que Pyongyang testou na segunda-feira cinco mísseis na sua costa leste, e que pode disparar outros. "Houve indicações de que o Norte está se preparando para disparar mísseis de curto alcance na costa oeste", disse essa fonte. A Coreia do Norte emitiu um alerta para que os navios fiquem longe de sua costa durante o período diurno entre 12 e 16 de outubro, segundo a Guarda Costeira japonesa.

 

A China, que tem certa proximidade política com a Coreia do Norte, disse que o teste de mísseis terá pouco impacto na retomada das negociações multilaterais sobre o programa nuclear norte-coreano. "Acredito que isso não afetará a tendência de relaxamento (da tensão) a respeito da península coreana", disse um porta-voz da chancelaria.

 

O primeiro-ministro japonês, Yukio Hatoyama, manifestou maior preocupação, dizendo que o teste, "se for verdade, é muito lamentável". Na segunda-feira, a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, havia dito que Washington manteria seus esforços pelo desarmamento nuclear da península. Já as autoridades sul-coreanas minimizaram os disparos, dizendo que eles são parte de exercícios militares de rotina. "Os mísseis são idênticos àqueles que foram disparados numerosas vezes no passado, então não acreditamos que haverá problemas na realização de conversas, que irão prosseguir", disse Chun Hae-sung, porta-voz do Ministério da Unificação.

 

Entre 2004 e 2007, um total de 12 mísseis foram testados pela Coreia do Norte. Os lançamentos de segunda, no entanto, foram os primeiros desde julho. Uma fonte militar do Sul afirmou que ainda não é possível determinar se os testes foram uma provocação, pois são realizados pelo Norte com certa frequência. O momento escolhido por Pyongyang para realizar os testes coincidiu com a chegada do porta-aviões americano USS George em águas sul-coreanas para participar com os navios sul-coreanos de manobras militares no Mar Amarelo (Mar Ocidental), atividade normalmente criticada por Pyongyang.

 

Reuniões com o Sul

 

A Coreia do Norte aceitou negociar com Seul assuntos bilaterais. Segundo o Ministério da Unificação sul-coreano, Pyongyang aceitou manter na quarta-feira e na sexta-feira as reuniões de trabalho propostas por Seul para prevenir enchentes nas áreas fronteiriças e sobre a oferta da Cruz Vermelha sul-coreana de continuar com os encontros de famílias separadas. As reuniões serão realizadas na cidade fronteiriça de Kaesong (Coreia do Norte) em um momento em que os sinais conciliadores entre as duas Coreias dependiam apenas da vontade para o diálogo.

 

Os testes da segunda-feira ocorreram após a Coreia do Norte adotar uma série de gestos de aproximação com Seul e a comunidade internacional, depois das tensões geradas pelo último teste nuclear. Além disso, a Coreia do Norte quer uma reunião exclusiva com os Estados Unidos, antes de retornar à mesa de diálogo sobre o desarmamento nuclear. As negociações multilaterais entre Coreia do Norte e outros cinco países EUA, China, Japão, Rússia e Coreia do Sul, estão paralisadas desde abril, quando Pyongyang abandonou o fórum de diálogo após as sanções do Conselho de Segurança da ONU pelo lançamento de um foguete de longo alcance.

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