Coreia do Norte pode disparar novos mísseis, alerta Seul

EUA reforçam defesa antimísseis por ameaça de projétil intercontinental contra o Havaí perto do 4 de Julho

03 de julho de 2009 | 08h30

A Coreia do Sul afirmou nesta sexta-feira, 3, que está monitorando atentamente as instalações militares da Coreia do Norte, pois o país pode disparar mais mísseis, em meio às suspeitas de que Pyongyang poderia disparar um projétil de longo alcance apontado contra territórios dos EUA nos próximos dias.

 

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A Coreia do Norte testou na quinta-feira quatro mísseis de curto alcance, que foram lançados em direção ao Mar do Japão (Mar do Leste), numa nova afronta às sanções impostas pela ONU. Os mísseis, do tipo terra-mar, percorreram 100 quilômetros a partir da costa norte-coreana, antes de mergulhar no oceano, segundo autoridades da vizinha Coreia do Sul. Os disparos foram feitos dias antes do feriado do Dia da Independência dos EUA, que é celebrado neste fim de semana.

 

Em 2006, a Coreia do Norte lançou o seu míssil mais avançado, o intercontinental Taepodong-2, enquanto os EUA celebravam o 4 de julho, ainda que o foguete tenha se destruído poucos segundos após o lançamento e caído no mar. Seul classificou os lançamentos de quinta-feira como parte de um exercício militar de rotina e alertou que mais mísseis devem ser disparados nos próximos dias. Não está claro, no entanto, se Pyongyang vai disparar seu míssil de longo alcance, supostamente capaz de atingir o Havaí. Autoridades americanas afirmaram que o lançamento do tipo não parece iminente.

 

Os novos testes aumentaram a preocupação da comunidade internacional com a intenção de Pyongyang de expandir seus programas nuclear e de mísseis, que teriam como objetivo a criação de ogivas atômicas para serem instaladas em vetores de longo alcance. O testes de eram esperados desde que Pyongyang advertiu a todas as embarcações para que se mantivessem longe de sua costa entre os dias 25 de junho e 10 de julho.

 

Em meio às ameaças, os EUA ampliaram seu sistema de defesa. "Os EUA estão preocupados não apenas com os lançamentos de mísseis, mas também com o programa nuclear (norte-coreano)", disse o porta-voz do Pentágono, Bryan Whitman. O general americano Victor Renuart, que chefia o Comando Militar do Norte, afirmou que as baterias antimísseis instaladas nos Estados do Alasca e da Califórnia "podem destruir um míssil balístico intercontinental antes que ele cause danos ao território americano".

 

O Ministério da Defesa sul-coreano disse que o lançamento dos quatro mísseis de curto alcance disparados pela Coreia do Norte na quinta-feira é uma mensagem de provocação para a Coreia do Sul, informou a agência Yonhap. "Acreditamos que os lançamentos foram realizados levando em conta as relações entre as duas Coreias, já que foram mísseis de curto alcance e não de médio ou longo", disse o porta-voz do Ministério da Defesa sul-coreano, Won Tae-jae.

 

O porta-voz lembrou que em caso de um conflito entre as duas Coreias, os mísseis de curto alcance, como os quatro que a Coreia do Norte lançou ontem, seriam os projéteis mais úteis. Os lançamentos dos mísseis aconteceram em um momento de muita tensão na península, devido ao último teste nuclear da Coreia do Norte, que foi respondido pelo Conselho de Segurança da ONU com sanções mais severas contra o regime comunista de Kim Jong-il.

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