Coreia do Norte pode retomar diálogo sobre programa nuclear

Kim Jong Il diz que quer realizar a última vontade de seu pai de 'denuclearizar a península coreana'

Efe,

05 de outubro de 2009 | 12h23

A Coreia do Norte mostrou-se aberta ao diálogo sobre seu programa nuclear ao receber em Pyongyang nesta segunda-feira, 5, o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, que participa das comemorações pelos 60 anos das relações entre ambos os países comunistas.

 

Segundo a agência norte-coreana KCNA, o líder do país, Kim Jong Il, manifestou a Wen a "vontade, mediante diálogos bilaterais e multilaterais, de promover a desnuclearização da península coreana, a última vontade do falecido presidente Kim Il Sung". As declarações foram feitas depois que Jong Il afirmou em setembro que Pyongyang estaria disposta a retomar os contatos bilaterais e multilaterais sobre o programa atômico do país.

 

O primeiro-ministro chinês chegou à capital norte-coreana no domingo, onde ficará até a terça-feira, quando participará de um ato pelos 60 anos das relações entre os dois países. Nesta segunda o presidente da China, Hu Jintao, enviou uma mensagem oficial ao governo da Coreia do Norte por ocasião da data. Na nota, ele lembrou a cooperação existente em assuntos regionais e internacionais, informou a agência Xinhua.

 

Kim Jong Il também enviou uma mensagem à China, na qual ressaltou a cooperação e a amizade de ambas as partes e as "grandes contribuições" que as duas nações fizeram para "a paz e a segurança na Ásia".

 

Embora a imprensa sul-coreana tenha dado informações sobre um encontro em Pyongyang entre Wen e Kim, os meios de comunicação da Coreia do Norte ainda não confirmaram a reunião.

 

A visita de Jiabao a Pyongyang acontece em meio aos esforços internacionais para que a Coreia do Norte volte ao diálogo multilateral sobre sua desnuclearização, estagnado desde o fim de 2008.

 

Alguns analistas sul-coreanos acham que a Coreia do Norte fará um anúncio importante sobre o tema durante a estada de Wen, o político chinês de mais alto nível a visitar Pyongyang desde a viagem do presidente Hu, em 2005. Além de ser o maior aliado e o maior parceiro comercial da Coreia do Norte, a China é a anfitriã das conversas sobre o plano nuclear norte-coreano, que incluem EUA, Japão, Coreia do Sul e Rússia.

 

Esse diálogo, no entanto, está suspenso desde maio, quando, um mês depois de lançar um foguete de longo alcance, Pyongyang voltou a desafiar a comunidade internacional realizando um novo teste nuclear, o primeiro desde outubro de 2006.

 

O comportamento da Coreia do Norte fez o Conselho de Segurança da ONU, apoiado pela China, adotar sanções contra Pyongyang, que, em resposta, abandonou a mesa de diálogo. Tudo indica que as relações entre os dois países comunistas voltaram ao normal, dado o papel de mediador que a China quer desempenhar na desnuclearização norte-coreana.

 

Pyongyang, por sua vez, tem interessem em receber ajudas econômicas de Pequim. Segundo a imprensa sul-coreana, desde que chegou de visita à Coreia do Norte, o primeiro-ministro chinês assinou com Kim vários acordos de cooperação em matéria de economia, educação e turismo.

 

A visita de Wen à China coincidiu com a ida do ministro de Defesa sul-coreano, Kim Tae-young, a uma comissão parlamentar, à qual disse ter em mãos uma lista com cerca de cem lugares na Coreia do Norte onde haveria material relacionado ao programa nuclear de Pyongyang.

 

Nesta segunda também foi divulgado um relatório do Ministério de Assuntos Exteriores sul-coreano que diz que, desde que assinou um acordo com os EUA em 1994, a Coreia do Norte recebeu US$ 2,288 bilhões em troca de seu desarmamento. A Coreia do Sul teria contribuído com US$ 1,150 bilhão desse valor, enquanto Japão e a União Europeia (UE) deram US$ 410 milhões e US$ 18 milhões, respectivamente, para a suposta construção de um reator de água leve.

 

Além disso, até 2002, os EUA repassaram 3,65 milhões toneladas de combustível, equivalentes a US$ 400 milhões. A isso se soma o acordo assinado em 2007 em troca da desnuclearização de Pyongyang, a parir do qual os países participantes do diálogo nuclear entregaram um total de 745.000 toneladas de petróleo, equivalentes a US$ 310 milhões.

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