Coréia do Norte pode ter ajudado Hezbollah, dizem EUA

A Coréia do Norte pode ter dadoarmas ao Hezbollah libanês e aos Tigres Tâmeis, do Sri Lanka,segundo um relatório preparado para o Congresso dos EstadosUnidos, que pode complicar a aproximação política de Washingtoncom Pyongyang. O texto, obtido na quarta-feira pela Reuters, foi escritopelo Serviço de Pesquisa Parlamentar, responsável por fazeranálises independentes para o Congresso. Ele cita "fontesreputáveis" segundo as quais o regime norte-coreano forneceuarmas e possivelmente treinamento a grupos militantes que osEUA qualificam como "terroristas". Neste ano, como parte do processo de desarmamento nuclearda Coréia do Norte, Washington aventou a hipótese de remover opaís da lista de Estados que patrocinam o terrorismo, em trocada divulgação de uma lista completa das atividades nuclearesnorte-coreanas. O regime comunista, que realizou um teste nuclear em 2006,aceitou fornecer uma declaração "completa e correta" dosprogramas até o final do ano, prazo que alguns analistas põemem dúvida. A presença de um país na lista norte-americana de regimesque patrocinam o terrorismo acarreta sanções dos EUA,especialmente econômicas. O Serviço de Pesquisa Parlamentar reitera a posiçãonorte-americana de que a Coréia do Norte supostamente "nãopatrocinou atos terroristas desde 1987", quando ocorreu aexplosão de um avião sul-coreano. Mas o texto diz que pode haver dúvidas a respeito disso."Questões sobre a credibilidade de tal afirmação são relevantesdiante do surgimento de relatos de fontes reputáveis de que aCoréia do Norte forneceu armas e possivelmente treinamento aoHezbollah no Líbano e aos Tigres Tâmeis em Sri Lanka." De acordo com o relatório, em setembro de 2006 a publicaçãoeletrônica Paris Intelligence Online, especializada eminteligência política e econômica, publicou detalhes de umamplo programa norte-coreano destinado a armar e treinar oHezbollah. Esse grupo militante xiita libanês, que também atua comopartido político, capturou dois soldados israelenses em julhode 2006, dando início a uma guerra de 34 dias contra Israel, naqual cerca de 1.200 libaneses morreram. A publicação francesa disse que o programa começou nadécada de 1980, com visitas de membros do Hezbollah à Coréia doNorte para treinamento, e foi ampliado em 2000, com o envio denorte-coreanos ao Líbano para ensinar o Hezbollah a construirbunkers subterrâneos para armazenar armas, comida e produtosmédicos. O site disse ainda que tal treinamento "melhorousignificativamente a capacidade do Hezbollah de combater osisraelenses" na guerra de 2006. O documento entregue ao Congresso cita também um relatóriodo influente acadêmico sul-coreano Moon Chun-in, segundo quem oMossad (serviço israelense de inteligência) considera que"componentes vitais de mísseis" usados pelo Hezbollah contraIsrael vieram da Coréia do Norte. O Departamento de Estado dos EUA não comentou o relatórioparlamentar nem suas possíveis consequências sobre a decisão deretirar a Coréia do Norte da lista de países patrocinadores doterrorismo.

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