Coréia do Norte proíbe inspeção de instalações nucleares

Nenhuma instalação atômica poderá ser avaliada, diz governo; acesso de membros da AIEA foi negado

Efe,

09 de outubro de 2008 | 17h41

A Coréia do Norte anunciou nesta quinta-feira, 9, que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) não poderá inspecionar nenhuma das instalações da central atômica de Yongbyon, a cujo setor de processamento de plutônio já havia negado acesso há duas semanas. "A Coréia do Norte informou hoje aos inspetores da AIEA que não permitirá mais o acesso efetivo e imediato às instalações de Yongbyon", informou o porta-voz Marc Vidricaire. Veja também:Pyongyang vai lançar mísseis de curto alcance, diz imprensa Na nota, a AIEA informou que a Coréia do Norte parou de desmontar o processamento de plutônio, ao contrário do que havia acertado durante seis meses de negociações com Coréia do Sul, Rússia, China, Japão e EUA. "Ao reativar as instalações de Yongbyon, a 100 quilômetros de Pyongyang, a Coréia do Norte informou à AIEA que nosso controle não é apropriado", acrescentou o comunicado da agência. Apesar disso, os inspetores internacionais permanecerão nas instalações à espera de novas informações por parte do país asiático. Desta forma, a Coréia do Norte confirma sua decisão de relançar seu programa nuclear, depois de, em 24 de setembro, retirar os lacres colocados pela AIEA e anunciar que começaria a introduzir combustível nuclear em sua produção de plutônio. Apesar deste anúncio, a AIEA mostrara sua confiança de que a Coréia do Norte retornasse ao regime de não-proliferação nuclear. Até os EUA, que incluem o país comunista em seu "eixo do mal", mostraram um tom conciliador e expressaram determinação de continuar a negociação, que parecia vitoriosa quando, em novembro de 2007, Pyongyang disse que aceitava cancelar seu programa atômico em troca de incentivos econômicos e diplomáticos. Fontes diplomáticas próximas à AIEA afirmaram nesta quinta à agência Efe que, apesar do desafio coreano anunciado há duas semanas, "não soaram os alarmes" e que alguns Estados não interpretaram a decisão coreana como um motivo para aumentar a pressão nas negociações. As hesitações de Washington em retirar a Coréia do Norte de sua lista de nações que patrocinam o terrorismo e a pressão exercida contra o país por sua suposta entrega à Síria de tecnologia atômica, explicariam a decisão coreana de retomar seus experimentos atômicos, segundo diplomatas em Viena.

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