EFE/EPA/KIMIMASA MAYAMA
EFE/EPA/KIMIMASA MAYAMA

Coreia do Norte promete novos testes de mísseis e Kim pede mais ‘músculo militar’

Segundo teste de um 'míssil hipersônico' em menos de uma semana ressaltou a promessa de Ano Novo de Kim de reforçar os militares com tecnologia de ponta em um momento em que as negociações com a Coreia do Sul e os Estados Unidos estão paralisadas

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2022 | 10h00

SEUL - O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, pediu o reforço das forças militares estratégicas do país ao observar o teste de um míssil hipersônico nesta semana, reportou a mídia estatal norte-coreana nesta quarta-feira, 12, participando oficialmente de um lançamento de míssil pela primeira vez em quase dois anos.

Na terça-feira, as autoridades da Coreia do Sul e do Japão detectaram o lançamento, que foi condenado por autoridades de todo o mundo e provocou preocupação do secretário-geral da ONU.

O segundo teste de um "míssil hipersônico" em menos de uma semana ressaltou a promessa de Ano Novo de Kim de reforçar os militares com tecnologia de ponta em um momento em que as negociações com a Coreia do Sul e os Estados Unidos estão paralisadas.

Depois de assistir ao teste, Kim pediu aos cientistas militares que "tenham mais músculo militar, acelerem ainda mais os esforços para construir de forma constante a força militar estratégica do país, tanto em qualidade quanto em quantidade, e modernizar ainda mais o exército", informou a agência de notícias KCNA. Foi a primeira vez desde março de 2020 que Kim participou oficialmente de um teste de míssil.

"Sua presença sugere atenção especial a este programa", disse Ankit Panda, membro sênior do Carnegie Endowment for International Peace, com sede nos EUA.

Ao contrário de outros testes recentes, o jornal do partido, Rodong Sinmun, publicou fotos de Kim participando do lançamento em sua primeira página.

“Embora Kim provavelmente tenha participado extraoficialmente de outros testes nesse ínterim, essa aparição e seu destaque na primeira página do Rodong Sinmun são importantes", disse Chad O'Carroll, executivo-chefe do Korea Risk Group, que monitora a Coreia do Norte. "Isso significa que Kim não está preocupado em ser pessoalmente associado com testes de grandes novas tecnologias bélicas. E não se importa como os EUA veem isso.”

As resoluções do Conselho de Segurança da ONU proíbem todos os mísseis balísticos e testes nucleares norte-coreanos e impuseram sanções sobre os programas.

As negociações destinadas a persuadir a Coreia do Norte a se render ou limitar seu arsenal de armas nucleares e mísseis pararam, com Pyongyang dizendo que está aberto à diplomacia, mas apenas se os Estados Unidos e seus aliados interromperem “políticas hostis”, como sanções ou exercícios militares.

A subsecretária de Estado para Assuntos Políticos dos EUA, Victoria Nuland, chamou os lançamentos de perigosos e desestabilizadores.

“Isso obviamente nos leva na direção errada", disse ela em um briefing regular em Washington na terça-feira. “Como você sabe, os Estados Unidos vêm dizendo desde que este governo entrou que estamos abertos ao diálogo com a Coreia do Norte, que estamos abertos a falar sobre covid e apoio humanitário e, em vez disso, estão disparando mísseis”.

A União Europeia condenou nesta quarta-feira o último lançamento de míssil norte-coreano como uma "ameaça à paz e segurança internacionais" e pediu que Pyongyang retome a diplomacia.

Capacidade superior de manobras 

Apesar do nome, os analistas dizem que a principal característica das armas hipersônicas não é a velocidade - que às vezes pode ser igualada ou superada pelas ogivas de mísseis balísticos tradicionais - mas sua capacidade de fazer manobras, o que as torna uma ameaça aguda aos sistemas de defesa antimísseis usuais.

Fotos divulgadas pela mídia estatal pareciam mostrar o mesmo tipo de míssil e ogiva que foi testado pela primeira vez na semana passada, disseram analistas.

“O teste teve como objetivo a verificação final das especificações técnicas gerais do sistema de armas hipersônicas desenvolvido”, informou a KCNA.

Após a liberação do foguete, um veículo hipersônico fez um “vôo de salto deslizante” de 600 km e depois 240 km de “manobras de saca-rolhas” (uma espécie de soibe e desce) antes de atingir um alvo no mar a 1.000 km de distância, segundo o relatório.

Autoridades sul-coreanas questionaram as capacidades do míssil após o primeiro teste na semana passada, dizendo que ele não parecia demonstrar o alcance e a manobrabilidade reivindicados em uma reportagem da mídia estatal e apresentava uma ogiva manobrável em vez de um veículo planador real.

Na terça-feira, no entanto, a Coreia do Sul disse que o segundo teste parecia mostrar um desempenho aprimorado, com o míssil atingindo velocidades máximas de até 10 vezes a velocidade do som (12.348 km por hora), embora não tenham comentado sobre seu desempenho nas manobras. /REUTERS

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