Coreia do Norte promete reagir contra qualquer condenação da ONU

Membros do Conselho de Segurança debatem sanções contra Pyongyang por lançamento de foguete.

BBC Brasil, BBC

07 de abril de 2009 | 22h57

A Coreia do Norte afirmou nesta terça-feira que qualquer condenação por parte do Conselho de Segurança da ONU a respeito do lançamento de um foguete que supostamente carregaria um satélite, no último domingo, terá consequências "firmes".

As declarações foram feitas pelo embaixador adjunto de Pyongyang na ONU, Pak Tok-hun, em um momento em que o Conselho de Segurança discute eventuais punições ao país por conta do lançamento.

"Se o Conselho de Segurança tomar qualquer medida, nós a consideraremos uma invasão de nossa soberania e medidas necessárias e firmes se seguirão", disse o diplomata a repórteres nesta terça-feira.

Pak Tok-hun reafirmou ainda a posição norte-coreana de que o lançamento foi o teste de um satélite de telecomunicações, e não de um míssil de longo-alcance, como suspeitam Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão.

"Todos os países tem o direito inalienável de usar o espaço de maneira pacífica. Muitos países já lançaram satélites. Isto quer dizer que todos os países estão autorizados a lançar satélites, menos nós. Não é justo", disse o diplomata.

"Foi (o lançamento) de um satélite. Todos podem distinguir um satélite de um míssil, e não era um míssil", completou.

Pressão

Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão argumentam que o lançamento viola a Resolução 1.718 do Conselho de Segurança da ONU, adotada em outubro de 2006 e que proíbe a Coreia do Norte de desenvolver atividades balísticas.

O Japão e os Estados Unidos estão pressionando o Conselho de Segurança a aprovar uma resolução que reforce e possivelmente estenda as sanções já existentes contra a Coreia do Norte.

Aprovadas após um teste nuclear em 2006, no entanto, as sanções financeiras e a proibição de viagens contra os norte-coreanos nunca foram realmente aplicadas.Segundo a correspondente da BBC na ONU, Laura Trevelyan, a eficácia do embargo de armas imposto contra Pyongyang também é questionável, já que país mostrou que possui a tecnologia para lançar um satélite.

Discussões

No último domingo, o governo russo afirmou que o lançamento norte-coreano "causa preocupação", mas alertou contra "conclusões precipitadas" contra o país.

Já o governo chinês, aliado de longa data do governo norte-coreano, afirmou que o país tem o direito de possuir um programa espacial pacífico e disse que outras sanções contra Pyongyang não seriam produtivas.

China e Rússia, assim como Estados Unidos, Grã-Bretanha e França, possuem poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, por serem membros-permanentes do órgão.

As discussões a respeito da questão continuam no Conselho de Segurança.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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