Coreia do Norte promete 'resposta física' a exercícios militares

Coreia do Sul e EUA realizarão manobras durante o fim de semana contra 'agressão de Pyongyang'

BBC

23 de julho de 2010 | 09h08

SEUL - O governo da Coreia do Norte prometeu nesta sexta-feira, 23, uma "resposta física" para os exercícios militares conjuntos entre as tropas dos EUA e da Coreia do Sul que serão realizados neste fim de semana.

 

As declarações de Pyongyang foram dadas ao mesmo tempo em que ocorre em Hanói, no Vietnã, um encontro de chanceleres asiáticos para discutir a segurança da região. O fórum tem sido dominado pela crise entre as duas Coreias motivada pelo afundamento de um navio de guerra de Seul.

 

Os EUA, que apontam os norte-coreanos como responsáveis pelo naufrágio, também os acusam de manter uma "postura provocativa" e anunciaram novas sanções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) em resposta ao suposto ataque.

 

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, que também está presente no encontro, se recusou a comentar as declarações de Pyongyang, mas disse que a porta permanece aberta para o retorno dos norte-coreanos às conversas se o país estiver comprometido com a desnuclearização.

 

O enviado norte-coreano ao fórum regional da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean, na sigla em inglês), Ri Tong-il, disse que os exercícios militares - que começam no domingo - são um exemplo da "diplomacia de guerra" do século XIX e vão contra a segurança e a soberania de seu país.

 

"Estamos em um novo século e os países asiáticos precisam de paz e desenvolvimento, e a Coreia do Norte também está progredindo nesse caminho", disse Ri, completando que os exercícios vão além do treinamento defensivo e envolveriam "armas e equipamentos sofisticados". Os exercícios "são uma ameaça à Península Coreana e à região como um todo. E nossa posição é clara: haverá uma resposta física à ameaça imposta militarmente pelos EUA", completou.

 

Washington e Seul disseram que os exercícios - que envolvem o porta-aviões USS George Washington, outros 20 navios, cem aviões e mais de 8 mil soldados - têm o objetivo de deter agressões norte-coreanas. A China, histórica aliada da Coreia do Norte, criticou os planos e disse que qualquer ação pode "exacerbar as tensões regionais".

 

Na quarta-feira, os EUA anunciaram a imposição de novas sanções contra a Coreia do Norte. As medidas teriam o objetivo de conter a proliferação nuclear no país e a importação de bens de consumo de luxo.

 

As sanções seriam uma resposta ao afundamento do navio Cheonan em março, quando 46 marinheiros morreram. Uma investigação conduzida por Seul aponta Pyongyang como responsável pelo incidente, o que os norte-coreanos negam e dizem ser "invenções". A Coreia do Norte ainda alertou que se o Conselho de Segurança da ONU tomasse qualquer medida que prejudicasse o país, haveria uma resposta militar.

 

O episódio do navio elevou a tensão entre as duas Coreias, tecnicamente em guerra desde 1950, quando começou a Guerra da Coreia. O conflito nunca foi formalmente encerrado e os dois lados permanecem apenas em trégua, embora haja atritos frequentemente.

 

Outra questão que gera impasse é o programa nuclear norte-coreano, considerado uma ameaça pelo sul. Pyongyang se recusa a retornar à mesa de negociações para abandonar os projetos atômicos e diz que só o fará se a Guerra da Coreia for encerrada formalmente.

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