Coreia do Norte propõe ampliação de diálogo civil com vizinhos do sul

Seul quer que Pyongyang mostre disposição ao assumir responsabilidade em naufrágio de navio

Efe

21 de outubro de 2010 | 05h28

SEUL - A Coreia do Norte propôs à Coreia do Sul aumentar o diálogo de interlocutores não-governamentais com base nos acordos da histórica cúpula intercoreana de 2000, informaram nesta quinta-feira, 21, fontes oficiais sul-coreanas citadas pela agência local Yonhap.

Este novo gesto conciliador do regime de Kim Jong-il foi remitido por fax a Seul na quarta por parte do comitê norte-coreano encarregado de implementar os acordos daquela primeira reunião de junho de 2000 em Pyongyang entre o então presidente sul-coreano, Kim Dae-jung, e o líder norte-coreano.

Pyongyang propõe "realizar contatos nos momentos apropriados", enquanto o ministro da Unificação sul-coreano, Hyun In-taek, disse nesta quinta-feira que examinará detalhadamente a proposta para decidir se o governo deve permitir esses encontros, destacou a Yonhap.

Segundo Hyun, o regime norte-coreano "deve mostrar disposição a assumir responsabilidade no ataque do Cheonan" - navio sul-coreano que afundou em março passado nas águas na fronteira com a Coreia do Norte - e também "estar decidido à desnuclearização".

Desde que o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, ascendeu ao poder no início de 2008, a Coreia do Norte fez propostas similares para cumprir os acordos da cúpula intercoreana de 2000, entre os quais se pretende facilitar os contatos entre civis. Os contatos de sul-coreanos com seus vizinhos do Norte devem ser aprovados previamente pelo governo de Seul.

Este novo gesto a favor do diálogo por parte de Pyongyang é bastante significativo, pois se soma a outros recentes, como o reatamento da linha de comunicação para aviação civil decidida nesta semana.

O afundamento da embarcação sul-coreana Cheonan em março deste ano, que provocou a morte de 46 tripulantes, levou as relações entre as duas Coreias ao pior nível de tensão em anos. Seul acusa Pyongyang do ataque, mas o regime comunista o nega.

Apesar desta crise, as duas Coreias realizarão no fim deste mês uma nova reunião de famílias separadas pela Guerra da Coreia (1950-1953), um conflito encerrado com um armistício, mas sem um tratado de paz formal.

Além disso, segundo a agência Yonhap, a Coreia do Norte propôs debater formas de promover as atividades da imprensa "que cumpram a missão do jornalismo".

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