Coréia do Norte reage a sanções e ameaça Tóquio

O regime norte-coreano qualificou nesta sexta-feira de "intoleráveis" as sanções impostas pelo Japão em virtude do lançamento de sete mísseis na quarta-feira e ameaçou tomar "medidas mais duras" se Tóquio continuar por esta caminho. Após o lançamento dos mísseis, que caíram no mar do Japão, a balsa norte-coreana Mangyongbong-92, o único transporte marítimo de passageiros entre o Japão e a Coréia do Norte, foi proibida de atracar nos portos japoneses nos próximos seis meses. O barco também é utilizado para transportar itens de primeira necessidade e dinheiro de norte-coreanos no Japão. Também foi proibida a entrada de funcionários norte-coreanos e tripulações de barcos e aviões da Coréia do Norte.O governo japonês indicou ainda que estudaria a possibilidade de proibir remessas de dinheiro à Coréia do Norte por parte da comunidade norte-coreana residente no país. O enviado norte-coreano, encarregado das negociações com o Japão, Song Il Ho, disse que as sanções impostas por Tóquio são "ultrajantes" e advertiu que sue país irá retaliar caso elas não sejam suspensas. "O Japão está passando das críticas à ação e a Coréia do Norte não o tolerará", disse Ho, citado pela agência japonesa Kyodo. Alerta nuclearO governo japonês está reforçando a segurança nas usinas dotadas de reatores nucleares, com o anúncio da possibilidade de um novo lançamento de mísseis norte-coreanos, informou a imprensa local.As províncias de Aomori, Niigata e Fukui dispõem de agências de emergência para reagir a uma eventual crise resultante do lançamento de mais mísseis, segundo o jornal Nihon Keizai.O jornal garante que o governo vai manter as administrações regionais informadas sobre a movimentação na Coréia do Norte. Principalmente no caso das províncias com áreas de alta densidade populacional. As forças de autodefesa e os militares americanos lotados no país se encontram em estado de alerta.Os satélites americanos revelaram que um novo míssil, aparentemente um Taepodong-2 intercontinental, está numa plataforma de lançamento no nordeste da Coréia do Norte, um lugar diferente do que foi usado nos testes de quarta-feira, informaram fontes oficiais citadas pelo jornal.Navios militares japoneses e americanos equipados com sistemas de acompanhamento Aegis observam a Coréia do Norte desde o lançamento de sete mísseis de teste que caíram em águas do Mar do Japão, na quarta-feira.Conselho de Segurança Além das sanções unilaterais, o Japão apresentou diante do Conselho de Segurança da ONU uma proposta de resolução que condena a Coréia do Norte e abre caminho para a imposição de sanções de maior alcance por parte do órgão executivo. Analistas dos quinze membros do Conselho estão estudando uma minuta de resolução apresentada pelo Japão, e que conta com o apoio de Estados Unidos, Reino Unido e França.O documento exige que Pyongyang "pare imediatamente" com odesenvolvimento e os testes de mísseis, e reafirme a suspensão unilateral decretada em 1999.Redigida sob o Capítulo VII da Carta da ONU, a resolução também obriga os Estados-membros a "evitar a transferência de recursos financeiros, materiais e tecnologia" que possam ser usados para a fabricação de mísseis e programas de armas de destruição em massa.O capítulo VII confere à resolução um caráter obrigatório e abre o caminho para sanções econômicas mais fortes e a intervenção militar.O texto também exorta o Governo norte-coreano a voltar "imediata e incondicionalmente" às conversas de seis lados (EUA, as duas Coréias, Rússia, China e Japão) e a implementar a declaração de 19 de setembro de 2005, quando Pyongyang se comprometeu a abandonar suas ambições nucleares e a voltar ao Tratado de Não-ProliferaçãoNuclear (TNP).O Conselho está dividido sobre a possibilidade de impor sanções à Coréia do Norte, devido à oposição de China e Rússia, dois membros permanentes do organismo, com direito a veto.O embaixador dos EUA perante a ONU, John Bolton, mostrou-seotimista, dado o apoio que o projeto de resolução japonês recebeu de treze dos quinze membros do Conselho."O apoio continua sendo arrasador (no sentido) de enviar uma mensagem firme de condenação ao lançamento de mísseis, e para tomar medidas firmes como resposta. Ainda restam muitas negociações a fazer, mas estamos satisfeitos com os avanços (obtidos) até agora", declarou Bolton.Ainda não se sabe se serão incorporadas emendas ao texto daresolução para convencer Rússia e China a aprovar a possibilidade de impor sanções ao regime comunista.Moscou e Pequim expressaram desde o começo sua preferência por uma declaração presidencial, que não tem cumprimento obrigatório e precisa ser adotada por consenso, em vez de uma resolução.Para ser aprovada, uma resolução requer o voto positivo de nove dos quinze integrantes do CS, e nenhum dos cinco membros permanentes (EUA, Rússia, China, Reino Unido e França) pode votar contra, pois esses países têm poder de veto.Ameaça contraproducenteO ministro de Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, disse nesta quinta-feira que a ameaça de sanções seria "contraproducente" neste momento, pois poderia provocar uma reação negativa da Coréia do Norte e aumentar ainda mais as tensões.A China, por meio de seu embaixador perante a ONU, Wang Guangya, ressaltou que Pequim condena o lançamento de mísseis, mas defende medidas "construtivas" que ajudem a manter a paz no Nordeste da Ásia.No entanto, Bolton indicou que nem Rússia nem China ameaçaram até agora usar seu poder de veto, e disse que os dois países "podem se abster se não gostarem do texto". "Possivelmente exista uma divergência sobre o veículo que vamos usar no Conselho, mas ninguém simpatiza com a linha da Coréia do Norte", afirmou.O diplomata americano destacou os riscos representados para a região e o resto do mundo pelos mísseis norte-coreanos, que têm capacidade de transportar ogivas nucleares, químicas ou biológicas.Após ressaltar que a atitude de Pyongyang constitui uma "ameaça à paz e à segurança mundiais", Bolton defendeu que a resolução seja redigida sob o Capítulo VII para ter caráter obrigatório.O representante americano disse não entender por que Coréia do Norte lançou os mísseis, na terça-feira passada, mas afirmou que se o objetivo do regime comunista era a intimidar ou pressionar para voltar a negociações diretas com os EUA, "o tiro saiu pela culatra". Os EUA enviaram seu negociador, Christopher Hill, a Pequim para discutir com os países envolvidos nas conversas de seis lados uma forma de retomá-las, visando a superar a crise em torno do programa nuclear norte-coreano."Há países que têm influência sobre a Coréia do Norte, e sobre eles recai a responsabilidade de usá-la para exigir que Pyongyang cumpra o estabelecido, como a suspensão de testes nucleares na península de Coréia e a continuação das conversas de seis lados", declarou Bolton.Este texto foi atualizado às 03h38

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