EFE/EPA/MINISTRY OF NATIONAL DEFENSE
EFE/EPA/MINISTRY OF NATIONAL DEFENSE

Coreias do Norte e do Sul testam mísseis balísticos e elevam tensões

Novos lançamentos ocorrem dois dias após os norte-coreanos anunciarem testes bem sucedidos de um novo míssil cruzeiro de longo alcance

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2021 | 04h55
Atualizado 15 de setembro de 2021 | 09h06

SEUL - As Coreias do Norte e do Sul testaram mísseis balísticos com horas de intervalo nesta quarta-feira, 15, em uma demonstração de poderio militar que aumenta as tensões entre os rivais em um momento em que as negociações sobre o programa nuclear do Norte estão paralisadas.

O gabinete da Presidência da Coreia do Sul comunicou que o país realizou seu primeiro teste de míssil balístico lançado debaixo d'água. A informação é de que o míssil, fabricado internamente, foi lançado a partir de um submarino e atingiu o alvo designado.

O comunicado diz que a arma se destina a ajudar a Coreia do Sul a deter ameaças externas - uma referência clara à Coreia do Norte, que testou dois mísseis balísticos de curto alcance no início do dia. Esses lançamentos aconteceram dois dias depois que o Norte disse ter disparado um míssil de cruzeiro recém-desenvolvido, seu primeiro teste de armas em seis meses.

Os projéteis do Norte saíram da região central do país e afundaram em águas localizadas entre a península coreana e o Japão, segundo autoridades de Seul e Tóquio. A guarda costeira japonesa disse que nenhum navio ou aeronave registrou danos causados pelos mísseis.

Os testes recentes mostram como o regime de Kim Jong-un continua ampliando a capacidade militar em meio à estagnação da negociação nuclear com os Estados Unidos. Especialistas dizem que os lançamentos norte-coreanos são um esforço para pressionar os americanos para obter alívio nas sanções destinadas a persuadir o país a abandonar seu arsenal nuclear.

Enquanto isso, observadores dizem que o governo do presidente sul-coreano Moon Jae-in, que tem buscado ativamente a reconciliação com a Coreia do Norte, pode ter tomado medidas para parecer mais severo em resposta às críticas de que é muito brando com seus vizinhos.

O lançamento foi classificado como ultrajante pelo primeiro-ministro do Japão, Yoshihide Suga. O governante afirmou que os testes ameaçam a paz e a segurança da região. “O governo do Japão está determinado a intensificar ainda mais a vigilância e o monitoramento para estar preparado para qualquer contingência."

Os testes aconteceram quando o Ministro das Relações Exteriores chinês Wang Yi estava em Seul para reuniões com Moon e outros oficiais do governo para discutir sobre a Coreia do Norte e outras questões. É incomum para a Coreia do Norte fazer lançamentos provocativos quando a China, seu último grande aliado e maior provedor de ajuda, está envolvida em um grande evento diplomático. Mas alguns especialistas dizem que a Coreia do Norte pode ter aproveitado o momento para chamar atenção extra.

Os disparos vão de encontro às resoluções do Conselho de Segurança da ONU que proíbem a Coreia do Norte de desenvolver atividades com mísseis balísticos. O conselho, porém, não costuma determinar novas sanções ao país quando o objeto de análise são mísseis de curto alcance, como os testados nesta quarta. 

O teste desta quarta não foi considerado uma ameaça imediata aos Estados Unidos ou seus aliados, segundo comunicado emitido pelo Comando Militar dos EUA no Indo-Pacífico.

Na segunda-feira, 13, a agência estatal de notícias da Coreia do Norte anunciou que o país havia realizado testes bem sucedidos de um novo projétil de cruzeiro de longo alcance durante o fim de semana. A ação provocou críticas dos Estados Unidos e dos países vizinhos. Segundo analistas, essa pode ser a primeira arma deste tipo com capacidade nuclear do país./AP e REUTERS

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