Coréia do Norte retira lacres da ONU em usina nuclear

Pyongyang se prepara para reativar reator atômico; em uma semana, governo deve introduzir material na usina

Efe e Associated Press,

24 de setembro de 2008 | 06h50

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) anunciou nesta quarta-feira, 24, que a Coréia do Norte retirou todos os lacres da ONU para introduzir no prazo de uma semana material nuclear na usina de Yongbyon. Além disso, o regime norte-coreano indicou aos inspetores da AIEA que eles não terão mais acesso a Yongbyon, cujo reator seria totalmente desmantelado, segundo um acordo multilateral com Pyongyang.   O país planeja ainda recolocar parte do material nuclear capaz de produzir plutônio - usado na fabricação de bombas atômicas - em sua planta de reprocessamento de Yongbyon em até uma semana. O alerta foi feito nesta quarta-feira pelo presidente da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei. A iniciativa demonstra que o governo norte-coreano parece disposto a cumprir as ameaças de reiniciar seu programa na área, alvo de controvérsia com outras nações. A Coréia do Norte realizou um teste nuclear há dois anos.   A movimentação pode ser apenas uma estratégia. Pyongyang pode usar esse ano que demoraria para retomar totalmente as operações sua única planta de reprocessamento para barganhar mais concessões dos Estados Unidos e de outros países que pressionam pelo fim do programa nuclear norte-coreano.   Funcionários do país "informaram aos inspetores da AIEA que eles planejam introduzir material nuclear na planta de reprocessamento em até uma semana", afirmou um comunicado da agência que citava ElBaradei. Falando aos seus funcionários, ele também disse que, atendendo a um pedido do país, os selos da agência e os equipamentos de monitoramento foram removidos. Essa remoção terminou nesta quarta-feira, segundo o texto. Uma funcionária da ONU, que pediu anonimato, afirmou que outras instalações nucleares norte-coreanas continuam sob monitoramento da AIEA.   A Coréia do Norte concordou em fevereiro de 2007 a começar a desmantelar seu programa nuclear, em troca de auxílio financeiro e outras concessões. Porém chegou a um impasse com Washington, que pediu uma declaração completa das atividades do país. Além disso, não houve consenso sobre como checar se o país de fato desistia de seu programa nuclear. Também houve insatisfação de Pyongyang com a demora do governo norte-americano de retirar o país de uma lista de patrocinadores do terrorismo.   O embaixador dos Estados Unidos perante a AIEA, Gregory Schulte, disse perante o plenário do Conselho de Governadores que remover os lacres e câmeras de vigilância de Yongbyon é "preocupante". Os EUA consideram que é "especialmente importante trabalhar juntos com nossos parceiros no processo a seis lados para determinar o melhor caminho para a frente", acrescentou o diplomata em tom reconciliador, segundo a versão escrita de seu discurso.  

Tudo o que sabemos sobre:
Coréia do Norte

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.