Coreia do Norte retirará restrições fronteiriças a Seul

País também se comprometeu a facilitar a retomada dos encontros entre as famílias separadas pela guerra

Reuters e Efe

20 de agosto de 2009 | 09h40

A Coreia do Norte suspenderá a proibição que restringe a passagem de sul-coreanos através da fronteira entre os dois países, medida que aplicava desde dezembro do ano passado, informou nesta quinta-feira, 20, a agência sul-coreana Yonhap.

 

As duas restrições foram adotadas pela Coreia do Norte em 1º de dezembro de 2008, quando limitou ao mínimo o fluxo fronteiriço com a Coreia do Sul, em plena escalada de tensão entre ambos os países. Desde aquele dia, a Coreia do Norte obrigou a restringir a passagem dos trabalhadores sul-coreanos que operam no complexo industrial norte-coreano de Kaesong, cortou a linha telefônica direta entre os dois países através de Panmunjom e suspendeu a linha ferroviária intercoreana.

 

Além disso, no início desta semana, a Coreia do Norte se comprometeu a facilitar a retomada dos encontros entre as famílias coreanas separadas pela guerra nas instalações norte-coreanas do monte Kumgang.

 

Os anúncios ocorrem um dia antes de uma delegação norte-coreana ir a Seul para assistir ao funeral do ex-presidente Kim Dae-jung, símbolo da reconciliação entre as duas Coreias.

 

Kim, que morreu na terça-feira aos 85 anos, recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2000, meses depois de promover a primeira cúpula entre líderes das duas Coreias.

 

Hoje mesmo, a Cruz Vermelha sul-coreana propôs à Coreia do Norte um encontro para reiniciar essas reuniões familiares, que começaram após a histórica cúpula intercoreana de 2000 entre o líder norte-coreano, Kim Jong-il, e o então presidente sul-coreano, Kim Dae-jung.

 

A agência estatal norte-coreana KCNA disse que o líder Kim Jong-il aprovou a visita, a ser realizada nos dias 21 e 22, sob o comando de Kim Ki-nam, secretário do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores. Será a primeira visita de alto escalão de norte-coreanos ao Sul em quase dois anos.

 

Kim Jong-il já havia enviado uma mensagem de pêsames à família de Kim Dae-jung, salientando seus esforços pela reunificação das duas Coreias, separadas desde o final da 2a Guerra Mundial.

 

A imprensa estatal norte-coreana mantém, no entanto, seus ataques contra o atual presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, que no último ano e meio tem cortado o envio de ajuda humanitária, vinculando-a ao desarmamento nuclear norte-coreano.

 

O funeral de Estado por Kim Dae-jung, presidente da Coreia do Sul entre 1998 e 2003, será em Seul no domingo. Durante seu mandato, Kim impulsionou a reconciliação na península coreana e o fim da divisão entre as duas Coreias, algo que não conseguiu, mas que lhe valeu o Prêmio Nobel da Paz em 2000.

 

A Coreia do Norte já vinha adotando outras medidas conciliatórias com o resto do mundo, depois de aprofundar seu isolamento diplomático com testes de mísseis e armas nucleares nos últimos meses.

Na quarta-feira, o governador do Estado norte-americano do Novo México), o veterano diplomata Bill Richardson, recebeu diplomatas norte-coreanos em Santa Fe e disse ter recebido "bons sinais" da parte deles.

Dias antes, o ex-presidente norte-americano Bill Clinton esteve em Pyongyang para negociar com sucesso a libertação de duas jornalistas norte-americanas que haviam sido presas neste ano na fronteira com a China.

Paralelamente, uma fonte oficial sul-coreana disse a uma TV local que nos próximos dias Pyongyang deve suspender restrições ao trânsito na fronteira com a Coreia do Sul, que estavam em vigor desde dezembro.

Neste mês, Kim Jong-il recebeu a presidente do poderoso conglomerado sul-coreano Hyundai, que tem importantes investimentos no Norte. O encontro ajudou na libertação de um operário da Hyundai detido em março, e em um acordo autorizando a prática do turismo no Norte e a reunião de famílias separadas pela Guerra da Coreia (1950-53).

O regime norte-coreano, no entanto, tem uma tradição de mudanças abruptas em suas políticas, e poucos analistas acham que ele abrirá mão de ter um arsenal nuclear. Eles afirmam também que a Coreia do Norte parece enfrentar problemas econômicos mais graves, e que as sanções internacionais podem estar começando a ter consequências graves.

Apesar da relativa abertura dos últimos dias, a Coreia do Norte continua rejeitando a retomada das negociações multilaterais para o seu desarmamento.

Philip Goldberg, coordenador por parte dos EUA de uma resolução da ONU contra os testes armamentistas norte-coreanos, foi a Cingapura como etapa inicial de uma viagem pela Ásia destinada a buscar apoio para medidas mais duras.

"Se houver uma volta às negociações a seis partes, isso é bom. São o tipo de questão muito associada à nossa presença aqui e com nossas continuadas tentativas de implementação da resolução", afirmou a jornalistas.

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