Lee Jae-Won/Reuters
Lee Jae-Won/Reuters

Coreia do Norte rompe pacto de não agressão com Coreia do Sul

Pyongyang adverte sobre ataque imediato caso Seul viole limites marítimos no Mar Amarelo

Agência Estado

27 de maio de 2010 | 08h58

SEUL - A Coreia do Norte anunciou nesta quinta-feira, 27, que desistiu de um pacto destinado a evitar confrontos armados com a Coreia do Sul na fronteira comum. O governo de Pyongyang também advertiu sobre um ataque imediato, caso Seul viole a disputada fronteira marítima do Mar Amarelo e repetiu ainda as ameaças de fechar um projeto industrial comum.

 

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As declarações norte-coreanas são os últimos acontecimentos desde que a tensão entre os países vizinhos do leste asiático aumentou por conta do afundamento de um navio sul-coreano. Seul acusa Pyongyang de ter disparado contra a embarcação de guerra, mas o país comunista nega envolvimento no episódio, que deixou 46 marinheiros mortos em março.

 

O Exército da Coreia do Norte anunciou que estava desistindo de salvaguardas militares para os sul-coreanos que cruzarem a fronteira. Além disso Pyongyang, pretende considerar um bloqueio completo do acesso ao complexo industrial conjunto de Kaesong, que fica na parte norte-coreana da fronteira. Também repetiu a ameaça de atacar alto-falantes, se Seul mantiver seu plano de transmitir propaganda contra o regime do vizinho.

 

Cerca de 42 mil norte-coreanos trabalham em 110 fábricas sul-coreanas em Kaesong. O complexo foi desenvolvido como um símbolo da reconciliação. Um porta-voz do Ministério da Unificação disse que Seul está esperando para ver a atitude da Coreia do Norte sobre Kaesong.

 

Demonstração

 

A Coreia do Sul, porém, deu sua primeira demonstração de força desde que a acusação contra Pyongyang foi feita formalmente. Em outro ponto do Mar Amarelo, a Marinha de Seul realizou um exercício a fim de evitar ataques com submarinos. Na capital sul-coreana, cerca de dez mil manifestantes gritaram "Matem nosso inimigo", em um protesto contra o vizinho.

 

Investigadores de cinco países disseram na semana passada que há provas fartas de que um ataque com um torpedo realizado por um submarino norte-coreano afundou o navio Cheonan, perto da fronteira marítima entre os dois países. Seul anunciou uma série de represálias, incluindo a paralisação do comércio bilateral. Pyongyang reagiu com uma retórica dura e anunciou que está cortando todos os laços com o vizinho.

 

Houve confrontos com mortes na fronteira em 1999 e 2002, além de um tiroteio em novembro passado. Os militares sul-coreanos acreditam que o naufrágio do navio foi uma vingança por esse tiroteio recente.

 

A Coreia do Sul e os EUA lançaram uma campanha diplomática para punir Pyongyang com sanções no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). A China, que tem interesses econômicos na Coreia do Norte, até agora não tem apoiado esse tipo de censura.

 

A Rússia, que junto com Pequim e Washington é um membro permanente e com poder de veto no CS, disse que enviaria especialistas a Seul para analisar as conclusões sobre o naufrágio. Pyongyang afirma que os sul-coreanos fraudaram provas sobre sua suposta participação. As informações são da Dow Jones.

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