Coréia do Norte se desarma se EUA tirarem armas nucleares

A Coréia do Norte pode oferecer desmontar seu programa de armas nucleares se os EUA removerem suas armas nucleares da Coréia do Sul e de outros países na região, segundo afirmações feitas nesta quarta-feira por um diplomata norte-coreano à agência de notícias Interfax. Ainda nesta quarta-feira, a Coréia do Norte acusou o Japão de não dificultar a retomada das conversas sobre o programa nuclear norte-coreano."Em troca de seu desarmamento nuclear, a Coréia do Norte irá demandar a retirada das armas nucleares da Coréia do Sul e de outros países da região", disse o oficial, não identificado, à Interfax.Os EUA mantém forças militares na Coréia do Sul, Japão e no território americano de Guam, uma ilha no Oceano Pacífico. O diplomata falou à agência de notícias Interfax na China. No entanto, a agência de notícias RIA-Novosti citou um representante do Consulado Geral da Coréia do Norte em Hong Kong dizendo duvidar da veracidade de tais informações. Ao mesmo tempo, o representante não-identificado, confirmou a posição de seu país de que se a Coréia do Norte deve se desarmar, outros países da região devem fazer o mesmo. "A posição da República Democrática do Povo da Coréia é a de que a desnuclearização da península coreana não deve consistir apenas na desnuclearização da República da Coréia", disse o diplomata, citado pela RIA-Novosti.Interfax citou sua fonte acusando os EUA de causar um impasse na retomada das conversas de seis lados sobre o programa nuclear da Coréia do Norte, dizendo que suas condições são inaceitáveis para Pyongyang. Como resultado, a retomada das negociações em dezembro de 2006 é impossível se a posição dos EUA não mudar", teria dito o diplomata.O diplomata também disse que a Coréia do Norte está pronta para retornar à mesa de negociações se os EUA considerarem as condições concordadas em 31 de outubro. Na data, a Coréia do Norte anunciou sua decisão de retornar às conversas de seis países se a suspensão das sanções econômicas impostas pelos EUA fosse discutida. Pyongyang acusa Tóquio A Coréia do Norte acusou nesta quarta-feira o Japão de dificultar as conversas multilaterais sobre seu programa de armas nucleares, informou a agência central de notícias norte-coreanaKCNA. Segundo um editorial da KCNA, "após ter-se estipulado o reatamento da reunião a seis (em novembro em Pequim), a comunidade internacional espera o resultado do encontro, exceto o Japão, que não o deseja". Pyongyang acusou Tóquio de querer utilizar esse assunto para o ressurgimento de seu militarismo, por isso estaria criando obstáculos para impedir uma "solução justa" para o problema nuclear norte-coreano. De acordo com o regime norte-coreano, o Japão utiliza o problema nuclear para acelerar sua busca pelo poderia atômico, exagerando ao dizer que o programa nuclear norte-coreano representa uma grave ameaça para a segurança de seu país. Em novembro, o regime comunista tinha expressado seu desejo de que o Japão fosse excluído da reunião de seis lados (as duas Coréias, China, Japão, Estados Unidos e Rússia) por reivindicar que o assunto dos seqüestrados japoneses por espiões norte-coreanos no século passado fosse discutido na reunião multilateral. A Coréia do Norte voltou nesta quarta-feira a criticar o Japão por incluir o tema dos seqüestrados na agenda da reunião nuclear, atitude que "demonstra o papel negativo" que Tóquio desempenhará nas próximas negociações multilaterais, segundo Pyongyang. Paralelamente, em uma declaração publicada pelo jornal governista Minju Joson, a Coréia do Norte pediu nesta quarta-feira aos EUA que abandonem sua política hostil em relação ao país. Segundo o jornal, os EUA não atuam de acordo com suas palavras e Washington aumenta "de forma proposital" a tensão na península, apesar de seu discurso sobre uma solução pacífica do conflito nuclear. A Coréia do Norte e os EUA acordaram em novembro em Pequim retomar o mais rápido possível a reunião de seis países, que está bloqueada há um ano devido ao boicote de Pyongyang por causa das sanções financeiras impostas por Washington.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.