Coréia do Norte suspende acordo

Pyongyang diz que medida é retaliação pelos EUA terem mantido o país na lista dos patrocinadores do terrorismo

AP e AFP, Pyongyang, O Estadao de S.Paulo

27 de agosto de 2008 | 00h00

A Coréia do Norte anunciou ontem que suspendeu o desmantelamento de seu programa nuclear no dia 14 em protesto contra o fato de os EUA ainda não terem tirado o país da lista de Estados que apóiam o terrorismo. Há dois meses, Pyongyang destruiu a torre de esfriamento de seu principal reator nuclear, em Yongbyon, e divulgou dados de seu programa de processamento de plutônio. Em troca, os norte-coreanos receberam promessas de relaxamento das sanções econômicas, entre elas a retirada do país da lista dos patrocinadores de terrorismo. O presidente americano, George W. Bush, de fato fez um pedido para que o Congresso americano tirassem os norte-coreanos dessa lista no dia 27 de junho. O governo dos EUA, porém, alega que a medida ainda não foi aprovada porque não foi possível verificar a veracidade do relatório de 60 páginas sobre o programa nuclear da Coréia do Norte entregue à China. "Agora que os EUA descumpriram pontos do acordo, fomos obrigados a responder", diz um comunicado da chancelaria norte-coreana. Segundo o texto, Pyongyang também está considerando reativar suas instalações nucleares "em breve". A implosão da torre de Yongbyon era uma garantia de que o país não produziria mais plutônio. Pyongyang, porém, pode reconstruir a estrutura ou levantar uma nova em outro lugar. Segundo a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, estão em andamento negociações para evitar a retomada do programa nuclear norte-coreano. "Estamos discutindo com a Coréia do Norte e é preciso ver onde chegaremos em algumas semanas", disse. No Texas, o porta-voz da Casa Branca, Tony Fratto, disse que os EUA considerarão a Coréia do Norte um "Estado terrorista" até que se estabeleçam mecanismos para verificar o fim de seu programa nuclear. A China pediu para que todas as partes envolvidas nas negociações "cumpram com seus compromissos". O governo chinês coordena, desde 2003, as negociações pelas quais EUA, Coréia do Norte, Japão, Coréia do Sul, Rússia e a própria China tentam garantir a desnuclearização da região. Segundo analistas, a Coréia do Norte tem plutônio suficiente para produzir mais seis bombas. A usina de Yongbyon já havia sido desativada em 2007, depois que os cinco países envolvidos nas negociações se comprometerem a dar ajuda financeira e energética à Coréia do Norte. Na época, Pyongyang também voltou atrás em sua decisão.

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