Chris Jackson / POOL / AFP
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Coreia do Norte tentou roubar a tecnologia da vacina da Pfizer

Segundo relatos da agência de inteligência da Coreia do Sul, hackers norte-coreanos quase conseguiram os dados da vacina contra o coronavírus 

Simon Denyer, The Washington Post

16 de fevereiro de 2021 | 09h06

TÓQUIO - A Coreia do Norte tentou invadir os servidores da farmacêutica norte-americana Pfizer para roubar tecnologia de vacina contra o coronavírus, informaram funcionários da inteligência sul-coreana na terça-feira, 16.

Os legisladores sul-coreanos foram informados das descobertas pelo Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul em uma audiência regular a portas fechadas do comitê de inteligência da Assembleia Nacional.

"Os ataques cibernéticos incluíram uma tentativa de roubar a vacina contra a covid-19 e a tecnologia de tratamento que a Pfizer estava desenvolvendo", disse Ha Tae-keung, um legislador da oposição e membro do comitê, a repórteres. Ele acrescentou que a Coreia do Sul detectou um salto anual de 32% no número de tentativas de ataques cibernéticos da Coreia do Norte.

Não ficou claro quando a tentativa de invasão dos servidores da Pfizer ocorreu ou se foi bem-sucedida. Um representante da Pfizer disse ao jornal americano The Washington Post que não poderia comentar imediatamente.

A declaração das autoridades sul-coreanas é a mais recente em uma série de acusações contra hackers norte-coreanos por tentativa de roubo de tecnologia de vacina, destacando a campanha em andamento de Pyongyang para obter informações confidenciais por meios nefastos e suas crescentes capacidades cibernéticas.

As tentativas de roubo de informações tem ocorrido apesar do líder norte coreano, Kim Jong-un, repetir sempre que sua ditadura isolada não foi afetada pela pandemia.

Em novembro, a Microsoft disse que hackers norte-coreanos e russos tentaram roubar dados de empresas farmacêuticas e pesquisadores de vacinas, embora tenha dito que os esforços não tiveram sucesso. 

O governo dos EUA também acusou os hackers chineses de terem como alvo os fabricantes de vacinas, enquanto a Coreia do Sul disse que frustrou uma tentativa norte-coreana de invadir empresas que desenvolvem vacinas contra o coronavírus no país no ano passado.

Não houve reação imediata ao relato da inteligência sul-coreana da mídia estatal da Coreia do Norte.

Embora afirme estar livre do vírus, a Coreia do Norte solicitou vacinas contra o coronavírus e deve receber quase dois milhões de doses da AstraZeneca-Oxford, de acordo com a Aliança Gavi, parte do esforço Covax apoiado pelas Nações Unidas que pretende entregar vacinas às pessoas mais vulneráveis do mundo.

A Coreia do Norte fechou sua fronteira com a China logo depois que o coronavírus começou a se espalhar, reduzindo o comércio a quase zero e minando sua já fraca economia.

Mas os hackers se tornaram uma tábua de salvação cada vez mais importante para o regime com armas nucleares, especialmente desde que a pandemia começou.

Na semana passada, especialistas da ONU disseram que sua investigação sobre o roubo de US$ 281 milhões em ativos de uma bolsa de criptomoedas em setembro "sugere fortemente" ligações com a Coreia do Norte, de acordo com relatos da mídia.

Em um relatório que vazou, os monitores de sanções independentes acusaram Pyongyang de usar fundos roubados de seu programa de hackers para apoiar seus programas de mísseis nucleares e balísticos e contornar as sanções.

Em 2018, o Departamento de Justiça dos EUA indiciou formalmente um homem norte-coreano, Park Jin Hyok, pertencente a uma organização conhecida como Grupo Lazarus, pelo ataque de ransomware conhecido como WannaCry, em 2017.

Park também foi acusado de envolvimento em um assalto de US$ 81 milhões ao banco central de Bangladesh e um ciberataque de 2014 contra a Sony em aparente vingança por seu filme “A Entrevista” - uma paródia sobre uma tentativa de assassinato do líder norte-coreano.

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