KCNA/Handout via REUTERS/File Photo
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Coreia do Norte testa míssil intercontinental que poderia atingir novos alvos nos EUA

Segundo especialistas, se disparado em condições normais o projétil poderia atingir a cidade de Chicago, no Estado de Illinois; Japão e Coreia do Sul farão reuniões de seus conselhos de segurança para discutir ameaça de Pyongyang

O Estado de S.Paulo

28 Julho 2017 | 13h12
Atualizado 28 Julho 2017 | 17h40

TÓQUIO - A Coreia do Norte deu um importante e ambicioso passo nesta sexta-feira, 28, em direção ao seu objetivo de desenvolver um míssil capaz de atingir alvos nos Estados Unidos com uma ogiva nuclear ao testar mais um míssil balístico intercontinental (ICBM, na sigla em inglês).

O projétil voou por cerca de 47 minutos a atingiu uma altitude de 3.700 quilômetros antes de cair em águas do Japão. Se tivesse sido lançado em uma trajetória normal, o míssil poderia, em teoria, atingir alvos nas cidades de Denver, no Colorado, e Chicago, em Illinois.

Esta última provocação de Pyongyang agrava o problema enfrentado pelo governo de Donald Trump e pelos vizinhos da Coreia do Norte, principalmente Coreia do Sul e Japão: como impedir que o regime de Kim Jong-un faça mais progressos em seu programa de armas nucleares.

"Kim Jong-un parece obcecado em conquistar a capacidade de alcançar os Estados Unidos com armas nucleares", disse Sharon Squassoni, diretor do Programa de Prevenção da Proliferação no Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), em Washington.

Tanto o Pentágono quanto o comando conjunto das Forças Armadas da Coreia do Sul disseram que detectaram o lançamento norte-coreano por volta das 23h11 (12h11 de Brasília), um horário considerado incomum para os testes de míssil feitos pelo regime, normalmente ao amanhecer.

"Concluímos que se trata de um míssil balístico intercontinental, como já era esperado", disse o porta-voz do Pentágono, capitão Jeff Davis. 

O armamento caiu na Zona Econômica Exclusiva do Japão, informou o chefe de gabinete japonês, Yoshihide Suga, em uma entrevista na manhã de sábado (hora local). Segundo analistas, o local aproximado da queda do míssil fica na região costeira da ilha de Hokkaido.

"Não podemos tolerar as repetidas provocações da Coreia do Norte como esta", disse Suga. "Protestamos de forma enérgica contra Pyongyang e condenamos este ato nos mais duros termos."

De acordo com o co-diretor do programa de Segurança Global da Union of Concerned Scientists, David Wright, se tivesse sido disparado em uma trajetória para maximizar sua abrangência, o míssil poderia voar cerca de 10.400 km - sem levar em consideração a rotação da Terra, que aumenta o alcance dos mísseis disparados para o leste.

"Los Angeles, Denver e Chicago parecem estar bem dentro do alcance deste míssil. Mas mesmo Boston e Nova York talvez poderiam ser atingidas", disse Wright. A capital americana, Washington, fica a menos de 500 km do raio projetado de voo do míssil, cuja especificação técnica ainda é desconhecida.

Estas projeções, entanto, poderiam diminuir um função da carga que o míssil com uma ogiva nuclear teria que carregar, o que afetaria a capacidade de voo.

O teste desta sexta-feira ocorre pouco mais de três semanas depois de Kim Jong-un testar também com sucesso outro ICBM que poderia, em teoria, atingir alvos no Alasca e, talvez, no Havaí e se torna o 14º teste de míssil conduzido por Pyongyang apenas neste ano.

Para Jeffrey Lewis, líder do programa em Ásia Oriental no Centro de Estudos para Não Proliferação, na Califórnia, este último teste da Coreia de Norte tem como objetivo demonstrar que o país é cada vez mais capaz de atingir alvos no Estados Unidos. "Minha avaliação é que eles querem mostrar mais alcance (de seus mísseis)."

O presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, convocou uma reunião do Conselho de Segurança Nacional para o sábado (hora local). O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, disse que o país também faria uma reunião de segurança emergencial.

"Recebi a informação de que a Coreia do Norte mais uma vez disparou um míssil", disse Abe. "Vamos analisar imediatamente esta informação e fazer o máximo que pudermos para proteger a segurança da população japonesa." / WASHINGTON POST, AP e AFP

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