Lillian Suwanrumpha/AFP
Lillian Suwanrumpha/AFP

Malásia exige imediata liberação de seus cidadãos na Coreia do Norte

Governo de Kuala Lumpur adota medida recíproca após Pyongyang anunciar que reteria os cidadãos malaios no país até o que o assassinato de Kim Jong-nam, irmão do líder norte-coreano Kim Jong-un, seja 'devidamente resolvido'

O Estado de S.Paulo

07 de março de 2017 | 00h52
Atualizado 07 de março de 2017 | 16h22

KUALA LUMPUR - O primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, exigiu nesta terça-feira, 7, a imediata liberação de todos os cidadãos malaios retidos na Coreia do Norte, depois que Pyongyang vetou a saída deles do país.

"Condenamos da forma mais contundente a decisão da Coreia do Norte de impedir que cidadãos malaios deixem o território norte-coreano", disse Najib, em comunicado que leva o título "o primeiro-ministro pede a imediata liberação de todos os malaios". No texto, a medida norte-coreana é qualificada de "aberração".

O líder malaio convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional, e instruiu a polícia para impedir a saída de "todos os norte-coreanos" na Malásia até assegurar a segurança de todos os malaios na Coreia do Norte.

A embaixada na capital da Malásia foi isolada na véspera pelas autoridades locais, que mantêm vários soldados na entrada.

"A Malásia está empenhada em manter uma relação amistosa com todos os países. No entanto, proteger nossos cidadãos é nossa primeira prioridade e não hesitaremos em tomar as medidas necessárias quando eles estiverem ameaçados", diz o comunicado.

A reação de Najib acontece depois que a Coreia do Norte anunciou a proibição de que malaios deixem o país até que o assassinato de Kim Jong-nam, irmão do líder norte-coreano Kim Jong-un, em Kuala Lumpur, seja "devidamente resolvido".

O governo da Malásia (que tinha um acordo recíproco de isenção de vistos com Coreia do Norte) confirmou que 11 de seus cidadãos estão atualmente no fechado país asiático, dos quais três são funcionários da embaixada, seis são seus parentes e dois trabalham na ONU.

O anúncio da Coreia do Norte e a replica da Malásia chegam depois de a polícia da Malásia informar também nesta terça-feira que três norte-coreanos solicitados para a investigação da morte do irmão do líder da Coreia do Norte se refugiaram dentro de sua embaixada, em Kuala Lumpur, e dizer que a embaixada de Pyongyang não está colaborando com as investigações.

A crise diplomática acontece um dia depois de Pyongyang declarar como "persona non grata" o embaixador malaio na Coreia do Norte, Mohamed Nizan Mohamed, em represália pela expulsão de seu embaixador na Malásia, ordenada por Kuala Lumpur no último sábado, após suas críticas à investigação pelo assassinato de Kim Jong-nam.

Kim Jong-nam morreu no dia 13 de fevereiro, após ser atacado no Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur por duas mulheres - presas e indiciadas - que esfregaram em seu rosto o agente nervoso VX. / EFE e REUTERS

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