Coréia do Norte vende armas à Etiópia com anuência dos EUA

A administração Bush permitiu que a Etiópia completasse uma compra secreta de armas da Coréia do Norte, em uma aparente violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU aprovadas meses antes do teste nuclear, reporta o jornal The New York Times em sua edição deste sábado, 7.Citando fontes entre autoridades americanas de diversas agências, o Times disse que os Estados Unidos permitiram a entrega de armas em janeiro em parte porque a Etiópia estava combatendo milícias islâmicas na Somália, em uma ofensiva que ajudava políticas norte-americanas de combate a extremistas religiosos na África.Um porta-voz do Departamento de Estado não quis comentar sobre as particularidades da carga de armas, mas disse que os Estados Unidos estavam "profundamente comprometidos com manutenção e implementação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU," reportou o jornal. A Embaixada da Etiópia não comentou.O ex-embaixador da ONU em Washington John Bolton, que ajudou a empurrar a resolução que impôs sanções à Coréia do Norte por meio do Conselho de Segurança em outubro, disse que os Estados Unidos deveriam ter dito à Etiópia para devolver as armas."Eu sei que elas foram úteis na Somália, mas há um programa de armas nucleares na Coréia do Norte que inútil para todo o mundo," disse Bolton ao Times.As agências de inteligência dos Estados Unidos reportaram no final de janeiro que um navio de carga etíope, que provavelmente carregaria partes de tanques e outros equipamentos militares, havia deixado um porto na Coréia do Norte. O valor da carga não estava claro, segundo o Times.Após um breve debate em Washington, foi decidido não bloquear o acordo de armas e pressionar a Etiópia para não fazer mais compras no futuro, segundo a reportagem.De acordo com o jornal, não ficou claro se os Estados Unidos informaram o Conselho de Segurança sobre a carga.Várias autoridades disseram ao Times que foram informadas sobre o recebimento da carga militar planejado pela Etiópia quando o governo do país alertou a embaixada norte-americana em Addis Ababa após as sanções da ONU adotadas em 14 de outubro.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.