Coreia do Sul contesta versão oficial da morte de Kim

Segundo inteligência de Seul, trem do ditador ficou parado no fim de semana; EUA pretendem retomar negociações

SEUL, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2011 | 03h07

Funcionários de inteligência sul-coreanos contestaram ontem a versão oficial da morte do ditador norte-coreano Kim Jong-il. A parlamentares, os agentes afirmaram que o trem no qual o "Grande Líder" viajava quando teria sofrido um enfarte no sábado não deixou a garagem durante todo o final de semana.

De acordo com membros do governo de Seul, as autoridades norte-coreanas tentaram ressaltar a imagem de Kim como um líder devotado a seu povo com a versão oficial de sua morte. A transição de poder, garantem as fontes sul-coreanas, evolui de maneira tranquila.

Não há sinais de movimentação entre os militares. Horas antes do anúncio da morte do pai, seu filho Kim Jong-un emitiu uma ordem chamando todas as brigadas militares para retornarem a suas bases.

Ontem, a imprensa estatal elogiou o herdeiro da ditadura comunista e o chamou de "Líder Extraordinário". O jornal oficial do governo pediu aos norte-coreanos que marchem em apoio a Kim Jong-un. "Obedeçam lealmente à liderança do grande camarada Kim Jong-un, o Extraordinário Líder do nosso partido, do Exército e do povo. Um grande sucessor", publicou o Rodong Sinmun.

Na Coreia do Sul, o porta-voz do Ministério da Defesa, Yoon Won-sik afirmou que não há nenhum movimento estranho nas tropas do país vizinho.

Representantes do governo americano deram declarações similares. "A transição aparenta ser bem tranquila na Península Coreana e esperamos que continue assim", disse o porta-voz do Pentágono, George Little.

Os EUA estão dispostos a retomar as negociações com a Coreia do Norte quando acabar o período de luto no país, no dia 28. Os dois países negociavam um acordo para a retomada de ajuda humanitária em troca de concessões sobre o programa nuclear norte-coreano.

Sobrenatural. Dando sequência ao culto de personalidade criado em torno da família Kim, o governo norte-coreano anunciou ontem que a morte do ex-ditador provocou uma série de fenômenos no país.

A KCNA, a agência oficial do governo, anunciou que após a morte de Kim Jong-il o país sofreu uma nevasca. "O gelo do lago Chon rachou de forma tão ruidosa que parecia sacudir os céus e a Terra", disse a agência.

Outro fenômeno sobrenatural que marcou a morte de Kim, segundo a KCNA, foi o aparecimento de um misterioso brilho no Monte Paektu, sagrado para os norte-coreanos e local onde, segundo a propaganda oficial, o ditador nasceu. Uma mensagem teria sido marcada na rocha da montanha na terça-feira com os dizeres "Monte Paektu, a montanha sagrada da revolução. Kim Jong-il", com um forte brilho. A frase teria permanecido na montanha sagrada até o pôr do sol.

A agência afirmou que uma ave da região, o grou da Mandchúria, também adotou luto pela perda de Kim: "O grou pareceu estar de luto pela morte de Kim Jong-il, nascido dos céus, após ter descido do paraíso no frio da noite, incapaz de esquecê-lo". / AP e REUTERS

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