Jean Chung/The New York Times
Jean Chung/The New York Times

Coreia do Sul decide intensificar investigações sobre naufrágio

Número de mortos sobe para 150 e governo analisa iniciar processo de recuperação do navio

O Estado de S. Paulo,

23 de abril de 2014 | 15h58

SEUL - Os promotores da Coreia do Sul decidiram intensificar as investigações sobre o naufrágio do navio Sewol no dia 15, que deixou mais de 300 pessoas mortas ou desaparecidas. As autoridades proibiram os funcionários da Chonghaejin Marine, responsável pela operação da embarcação, de deixar o país.

Nesta quarta-feira, 23, o número de mortos subiu para 150. Outras 152 pessoas continuam desaparecidas.

Os investigadores foram até os escritórios da empresa e das afiliadas em busca de documentos e pistas sobre as condições de segurança do navio. Um dos principais focos das investigações é a navegabilidade e a possibilidade de a embarcação estar com sobrepeso.

Na terça-feira 22, um partido de oposição sul-coreano divulgou dados do Registro Coreano de Navegação, que mostram que o navio estava transportando 3,6 mil toneladas de carga, três vezes acima do máximo recomendado. A promotoria também investiga se a embarcação cumpria todas as exigências de segurança para a operação porque as leis para o setor foram reformuladas no ano passado. Entre as novas medidas, está a instalação de cabines adicionais para passageiros e uma elevação do peso da embarcação em quase 240 toneladas.

O governo da Coreia do Sul afirma que as inspeções no navio foram realizadas "de acordo os regulamentos" e cumprindo todas os requisitos de segurança. No entanto, as autoridades não têm certeza se o proprietário da embarcação fez as alterações adicionais exigidas na última vistoria.

O capitão do navio, Lee Joon-seok, de 69 anos, e outros 10 tripulantes foram detidos sob suspeita de negligência.

Resgate. Parentes dos 152 desaparecidos pressionam o governo para concluir a busca pelos corpos rapidamente. Contudo, o trabalho está em uma fase mais complicada porque, segundo autoridades, os mergulhadores precisam destruir paredes de cabines para recuperar outros corpos.

Para agilizar o trabalho, surgiu a questão de quando se deve levar os guindastes e iniciar o esforço de recuperação, cortando e levantando o navio submerso. O governo avisou que o trabalho pode eliminar possíveis bolsões de ar que estejam mantendo vivo algum passageiro.

Para alguns parentes essa é uma esperança perdida. "Agora, acho que temos que lidar com isso de forma realista", disse Pyun Yong-gi, cuja filha de 17 anos está entre os desaparecidos. "Nós não queremos que os corpos se deteriorem ainda mais, por isso queremos eles os retirem o mais rápido que puderem."

O governo não informou quando pretende começar o trabalho de recuperação do navio, mas disse que terá consideração com os parentes dos desaparecidos. "Mesmo se houver apenas um sobrevivente, nosso governo fará o seu melhor para resgatar essa pessoa e então iremos recuperar o navio."/ AP

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