REUTERS/the Unification Ministry/Yonhap
REUTERS/the Unification Ministry/Yonhap

Coreia do Sul desliga alto-falantes de propaganda na fronteira com o Norte

Alto-falantes pararam de transmitir propaganda, mas não foram desinstalados; Coreia do Norte ordena retorno dos mais de 50 submarinos deslocados para suas bases

O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2015 | 10h21

SEUL - A Coreia do Sul parou de emitir nesta terça-feira, 25, propaganda através dos alto-falantes instalados na fronteira com a Coreia do Norte, como parte do compromisso que permitiu aos dois países rivais evitar um confronto armado.

Após 11 anos em silêncio, o governo de Seul voltou a ativar estes alto-falantes depois que dois soldados sul-coreanos foram mutilados após a explosão de duas minas terrestres na fronteira no início do mês.

Seul acusou Pyongyang por este incidente, mas os norte-coreanos negaram qualquer tipo de envolvimento, e ameaçaram a Coreia do Sul com ataques militares organizados.

Após mais de 40 horas de negociações na localidade fronteiriça de Panmunjon, onde foi assinado o cessar-fogo da guerra de 1950-1953, as duas Coreias alcançaram um acordo para colocar fim à crise e melhorar suas relações.

O acordo selado horas antes por representantes de alto nível de ambos os governos contempla a suspensão das transmissões de propaganda sul-coreana contra a Coreia do Norte "a menos que aconteça algo anormal".

Estas transmissões, consideradas uma potente arma de "guerra psicológica" de Seul contra Pyongyang, foram uma das principais fontes do conflito dos últimos dias.

Em virtude deste acordo, a Coreia do Norte expressou seu arrependimento pela questão das minas terrestres, e a Coreia do Sul desligou seus alto-falantes às 12 horas(0 hora de Brasília) da terça-feira.

O ministério sul-coreano da Defesa explicou, no entanto, que o exército permanecerá em estado de alerta até receber a confirmação de que o Norte colocou fim ao "semi estado de guerra" decretado por seu líder, Kim Jong-Un. "Detivemos nossas emissões, mas permanecemos em estado de alerta enquanto vigiamos o movimento das tropas norte-coreanas", disse um porta-voz.

As duas Coreias estão tecnicamente em guerra há 65 anos, já que o conflito armado terminou com um cessar-fogo que nunca foi formalizado em um tratado de paz. 

Reações. Depois do anúncio do acordo, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, John Kirby, se pronunciou a respeito da tensão entre os países asiáticos. "Apoiamos os incansáveis esforços da presidente Park (Geun-hye) para melhorar as relações intercoreanas, que respaldam a paz e a estabilidade na península coreana", afirmou Kirby.

Os Estados Unidos confiam que esse acordo contribuirá para "diminuir as tensões na península" da Coreia e continuarão em contato com o governo sul-coreano para ver como a situação evoluirá, acrescentou. "Agora a Coreia do Norte tem que agir, e não só apresentar garantias a respeito de suas próprias atividades militares ao longo da fronteira."

Os submarinos deslocados nos últimos dias pelo Exército da Coreia do Norte também estão voltando a suas bases, segundo fontes militares em Seul. "Temos informação que estão retornando a suas bases os mais de 50 submarinos que partiram desde o 21 de agosto", revelou a agência local "Yonhap" um oficial das Forças Armadas da Coreia do Sul. / AFP e EFE


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