Coreia do Sul e China criticam Japão por revisar desculpas sobre escravas sexuais

A Coreia do Sul e a China protestaram, nesta segunda-feira, contra a reavaliação por parte do governo japonês de um pedido de desculpas feito em 1993 a mulheres, muitas delas coreanas e chinesas, forçadas a trabalhar como escravas sexuais em bordéis japoneses durante a guerra. Os dois países pediram que o Japão pare de tentar apagar a história.

REUTERS

23 de junho de 2014 | 11h12

O vice-ministro de Relações Exteriores da Coreia do Sul, Cho Tae-yong, convocou o embaixador japonês, Bessho Koro, para reclamar, dizendo que Tóquio estava tentando derrubar suas próprias desculpas, mesmo após a história por trás das “mulheres de conforto”, como eram chamadas, ter sido reconhecida internacionalmente.

“O Japão tem de entender que quanto mais o governo Abe tentar derrubar a Declaração de Kono, mais sua credibilidade e reputação internacional irão sofrer”, disse Cho.

“Mulheres de conforto” é um eufemismo para as mulheres que foram forçadas a atuar em bordéis militares e servir os soldados antes e durante a Segunda Guerra Mundial.

A Coreia do Sul protestou contra a conclusão de um painel japonês que revisou a Declaração de Kono, de 1993 —assim chamada em homenagem ao então secretário-chefe de gabinete, Yohei Kono. A revisão analisou se os dois países haviam trabalhado juntos sobre o uso cuidadoso das palavras de desculpa.

Essa revisão rejeitou a conclusão de que a Coreia do Sul estava envolvida na formulação da desculpa, dizendo que o documento foi uma declaração formal feita pelo governo japonês e que os fatos por trás da questão das “mulheres de conforto” nunca foram levados à discussão.

Esse tópico há tempos tem sido um espinho nas relações entre os dois países. A Coreia do Sul diz que o Japão não fez o suficiente para reparar o sofrimento das mulheres e que qualquer tentativa de questionar a legitimidade das desculpas é uma indicação de falta de sinceridade.

O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Hua Chunying, também pediu que o Japão adote medidas para lidar com os problemas de seu legado histórico.

“A alegada investigação do Japão mais uma vez revela que não está disposto a encarar a história e está até mesmo tentando apagar ou negar as reais intenções de seus crimes de invasão”, disse Hua a repórteres.

O Japão invadiu a China em 1937 e governou partes dela com uma repressão brutal durante oito anos. O legado do governo colonial japonês na península coreana, de 1910 a 1945, complicou os laços entre os dois países. Ambos são fortes aliados dos Estados Unidos na região e, ao lado da China, estão envolvidos nos esforços para acabar com os programas nuclear e balístico da Coreia do Norte.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, questionou a Declaração de Kono no passado, e, em um movimento considerado como uma concessão à base conservadora, o governo pediu que cinco especialistas revisassem a declaração.

Mas, consciente do potencial embate diplomático, Abe também disse que não iria retificá-la.

(Por Jack Kim em Seul e Michael Martina em Pequim)

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