Coreia do Sul lembra o centenário do início da ocupação japonesa

Várias pessoas se concentraram no parque Tapgol, na capital sul-coreana, para reviver a história

Efe

29 de agosto de 2010 | 07h00

SEUL - A Coreia do Sul lembrou neste domingo, 29, com vários atos comemorativos os cem anos da entrada em vigor do tratado de anexação que deu início ao período de colonização japonesa da península da Coreia (1910-1945).

Cerca de mil pessoas se concentraram no parque Tapgol de Seul para lembrar o início formal da ocupação japonesa, um período durante o qual centenas de milhares de mulheres foram tratadas como escravas sexuais e outros tantos coreanos foram obrigados a realizar trabalhos forçados.

A ocupação japonesa, lembrada ainda com amargura pelos sul-coreanos, começou no dia 22 de agosto de 1910 com a assinatura do tratado de anexação, que entrou em vigor formalmente uma semana Depois.

Através desse tratado, o Japão tomou o controle das instituições de governo coreanas e tentou impor a cultura e costumes japoneses, até o ponto de se chegar a proscrever o idioma coreano e se obrigar a população a adotar nomes japoneses.

O Japão controlou sob sua administração o que hoje são os territórios da Coreia do Sul e do Norte até o dia 15 de agosto de 1945, o dia da rendição japonesa da Segunda Guerra Mundial.

"O dia 29 de agosto é um dia de humilhação, quando o Japão Imperial se apropriou de nossa soberania e começou a reprimir nosso povo como se fossem escravos", disse à agência Yonhap o presidente da Associação de Libertação da Coreia, Kim Young-il.

Esta organização, que representa os lutadores coreanos pela independência do Japão, participou da concentração no parque Tapgol, símbolo da resistência à ocupação.

Além disso, neste domingo, foi descerrada uma placa em Seul para marcar o lugar onde foi assinado o tratado de anexação.

No dia 10 de agosto, o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, pediu desculpas à Coreia do Sul pela ocupação colonial e lamentou o sofrimento infligido à população, enquanto lembrou as cada vez mais importantes relações bilaterais com Seul.

O presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, afirmou então que essas desculpas "representam um passo adiante", embora tenha matizado que "ainda restam questões que devem ser resolvidas".

Nas relações entre ambos os países ainda continuam abertos vários conflitos, como o territorial em torno das ilhas Dokdo, no Mar do Leste (Mar do Japão), que atualmente dependem de Seul, mas que o Japão reivindica como suas sob o nome de ilhas Takeshima.

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