AFP PHOTO / JUNG YEON-JE
AFP PHOTO / JUNG YEON-JE

Seul quer substituir livros escolares por versões que excluam visões norte-coreanas

Objetivo do governo é ‘proteger’ os jovens de ideias próximas ao regime comunista da Coreia do Norte; estudantes, acadêmicos e cidadãos protestam contra a medida

O Estado de S. Paulo

03 de novembro de 2015 | 12h34

SEUL - O governo da Coreia do Sul decidiu monopolizar os conteúdos escolares de História para apresentar uma visão única e ”proteger” os jovens de ideias próximas ao regime comunista norte-coreano, o que tem desencadeado protestos de estudantes, acadêmicos e cidadãos indignados.

“Nossos adolescentes ainda são um pouco imaturos para estudar a ideologia da Coreia do Norte”, afirmou o diretor do Instituto Nacional de História Coreana, Chin Jae-gwan, em defesa do novo plano do governo.

A medida, apresentada oficialmente nesta terça-feira, 3, consiste em eliminar até 2017 os atuais livros escolares de História, publicados por oito editoras diferentes, e substituí-los por um conteúdo único estabelecido pelo governo para todos os estudantes do ensino médio e bacharelado do país.

O Executivo sul-coreano argumenta que os livros utilizados atualmente têm conteúdos “tendenciosos e com um enfoque em esquerdas”, além de oferecer “conteúdos perigosos” como a explicação da ideologia Juche, que reúne as bases do regime comunista dos Kim na Coreia do Norte.

A Coreia do Sul garante que os novos textos trarão uma perspectiva mais neutra e que historiadores de diferentes correntes de pensamento participarão de sua elaboração. Porém, isso pode não ser colocado em prática, já que a Associação de Investigação da História da Coreia, maior clube de historiadores do país, e dezenas de acadêmicos das principais universidades já adiantaram que não participarão da confecção dos novos livros.

Estudantes, professores, organizações civis e políticas, além de alguns artistas populares acreditam que o governo está buscando doutrinar os jovens com sua visão conservadora.

“O governo usa a palavra neutra como uma desculpa para impor uma visão única, algo completamente intolerável no século 21”, disse Yoo Eun-hye, porta-voz da Nova Aliança Política para a Democracia (NPAD), principal partido da oposição, durante uma manifestação que reuniu cerca de 3 mil pessoas no centro da capital sul-coreana. /EFE

Tudo o que sabemos sobre:
Coreia do SulescolasCoreia do Norte

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.