Coréia do Sul questiona versão dos EUA sobre a Coréia do Norte

Uma alta autoridade da Coréia do Sul questionou a afirmação dos Estados Unidos dando conta de que a Coréia do Norte abandonou um acordo sobre controle de armas de 1994, sob o qual prometia não desenvolver armas nucleares. Washington anunciou na semana passada que a Coréia do Norte havia admitido ter um programa de desenvolvimento de bombas com urânio enriquecido, e declarou inválido o acordo, durante uma visita do subsecretário americano James Kelly ao país comunista, em 3 de outubro.Mas o ministro da Unificação da Coréia do Sul, Jeong Se-hyun, que acaba de retornar de conversações com autoridades norte-coreanas, levantou a possibilidade de o anúncio dos EUA ter omitido importantes condições que a Coréia do Norte teria juntado à sua posição. "É dito que a Coréia do Norte declarou em fortes termos inválido o acordo de Genebra (de 1994). Imagino se a Coréia do Norte realmente teria dito isso desta forma", afirmou Jeong, numa entrevista a uma rádio de seu país. "Acho que alguma coisa importante pode ter sido omitida na transmissão da informação", disse ele, sem entrar em detalhes. Para o ministro, é mais provável que a Coréia do Norte tenha ameaçado abandonar o acordo, como parte de uma tática de negociação, e que o abandono unilateral não serviria aos interesses de Pyongyang. Jong liderou uma delegação sul-coreana na oitava rodada de conversações intercoreanas em nível ministerial, que terminou terça-feira na capital norte-coreana. As conversações, que deveria discutir a reconciliação intercoreana, foi obscurecida pela questão do programa nuclear norte-coreano. A Coréia do Norte já ameaçou várias vezes se retirar do acordo, reclamando que dois reatores nucleares substitutos, prometidos pelo tratado, estão anos atrasados em sua construção e não devem ser completados, como previsto, em 2003. O Norte também exige compensação pela perda de energia elétrica causada pelo atraso no projeto do reator, que estava apenas 20% completado no fim de setembro. Os EUA rejeitam a exigência norte-coreana, argumentando que 2003 era apenas uma data-alvo, não obrigatória.

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