Jeon Heon-Kyun/EFE
Jeon Heon-Kyun/EFE

Coreia do Sul registra 197 casos de covid-19 e enfrenta novo surto de coronavírus

Mais de 300 membros de uma congregação religiosa de Seul testaram positivo e outras centenas de pessoas se recusam a serem testadas

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2020 | 05h09

A Coreia do Sul anunciou novas restrições de distanciamento social nesta segunda-feira, 17, após identificar novos focos de disseminação do coronavírus. Em Seul, a igreja Sarang Jeil é o centro do maior surto registrado no país nos últimos cinco meses. Mais de 300 membros da congregação religiosa testaram positivo e centenas ainda estão relutantes a realizar os testes.

O Centro de Prevenção e Controle de Doenças da Coreia (KCDC) registrou 197 novos casos no domingo, 16, a maior parte deles na região metropolitana de Seul, marcando o quarto dia consecutivo de registros de três dígitos.  

A Coreia do Sul foi elogiada em todo o mundo pelo sucesso na contenção do novo coronavírus, mas tem enfrentado batalhas persistentes contra o aumento repentino de casos. Os registros mais recentes elevaram o total de infecções a 15.515 e os óbitos a 305.

Os casos da igreja de Seul reavivaram os temores de fevereiro, quando autoridades lutaram contra os casos registrados na cidade de Daegu, que resultaram no maior número de mortes em decorrência da covid-19 no país.   

Assim como em fevereiro, as autoridades enfrentam relutância da população para cooperar com o rastreamento dos casos. O vice-ministro da Saúde, Kim Gang-lip, disse que a igreja de Seul entregou uma lista imprecisa dos membros da congregação. "Estamos muito preocupados", disse Kim ao desmentir rumores de que o governo iria registrar todos os testes dos fiéis como positivos independentemente da verdade. "Isso é impossível. Não podemos fabricar resultados", disse ele. 

A igreja em questão é liderada pelo ativista conservador Jun Kwang-hoon, que tem organizado protestos de oposição ao governo pedindo o afastamento do presidente Moon Jae-in.

O ativista participou de uma manifestação no sábado, 15, contra a ordem governamental de isolamento e testagem de todos os membros da igreja. A instituição não atendeu as ligações da reportagem. 

Jun disse em entrevista a um veículo ligado à igreja que obedece as regras do governo, mas está sendo vítima do "terror do vírus".

Em abril, a Coreia do Sul afrouxou as medidas de restrição de celebrações religiosas e estabeleceu regras para missas e cultos, como o registro prévio de participação e medidas de distanciamento no local. 

O vice-ministro da Saúde disse que se a taxa de novas infecções não se estabilizar nesta semana, o governo vai precisar restringir a circulação, fechar espaços de alto risco e proibir reuniões de mais de 50 pessoas em locais fechados.

O Ministério da Saúde entrou com um processo contra o líder religioso Jun Kwang-hoon por violar as regras da quarentena e obstruir o rastreamento dos casos ao entregar uma lista incompleta dos membros da congregação.

Ele já é acusado de violar leis eleitorais e foi banido de participar de protestos como condição de uma fiança. O gabinete de um promotor anunciou no domingo, 16, que quer a revogação da fiança de Jun./REUTERS

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