EFE/EPA/YONHAP SOUTH KOREA OUT
EFE/EPA/YONHAP SOUTH KOREA OUT

Coreia do Sul rompe acordo de inteligência militar com o Japão

Assinado em 2016 com o apoio dos EUA, o GSOMIA tinha como objetivo monitorar as ações nucleares da Coreia do Norte

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2019 | 15h32

SEUL - A Coreia do Sul anunciou nesta quinta-feira, 22, que vai romper um acordo de cooperação de Inteligência militar com o Japão, em meio às tensões diplomáticas e comerciais entre os dois países nas últimas semanas.

"Seul decidiu colocar um ponto final no acordo", conhecido como GSOMIA, afirmou Kim You-geun, primeiro diretor adjunto do Escritório de Segurança Nacional, organismo vinculado à presidência sul-coreana.

"Avisaremos o governo japonês por meio de um telegrama diplomático", disse.

No início de agosto, o Japão retirou a Coreia do Sul de uma lista de parceiros preferenciais para exportações, "sem justificativa", criticou Kim You-geun.

O funcionário sul-coreano lamentou a adoção da medida por Tóquio, sob a alegação de questões de segurança e de perda de confiança em Seul, o que representa "uma mudança significativa" na cooperação entre os dois países na área de defesa.

Segundo ele, "nenhuma prova concreta foi fornecida para apoiar essas alegações".

"Em uma situação como esta, decidimos que não é do interesse nacional manter o acordo assinado para trocar informações sensíveis em nível militar", afirmou Kim You-geun.

O ministro japonês das Relações Exteriores, Taro Kono, reagiu ao anúncio algumas horas depois e afirmou que Tóquio "rejeita com veemência" a decisão de Seul.

"Tenho que dizer que a decisão do governo sul-coreano de acabar com este pacto é um grande erro de julgamento da situação da segurança regional, e é algo muito infeliz", declarou o chanceler em um comunicado.

"Não podemos aceitar as alegações do lado sul-coreano e vamos protestar fortemente contra o governo sul-coreano", afirmou Kono, acrescentando que Tóquio convocou o embaixador sul-coreano para explicações.

O GSOMIA

Este acordo de Inteligência foi firmado em novembro de 2016, com o apoio de Washington, em resposta aos lançamentos de mísseis e aos testes nucleares por parte da Coreia do Norte.

O objetivo era obter uma melhor coordenação para reunir informação sobre o isolado vizinho, comandado por Kim Jong-un.

O pacto tem sido renovado ano a ano. A decisão de Seul de rompê-lo foi inesperada, em meio à expectativa de que o país manteria a cooperação de segurança com o Japão, apesar da disputa em curso.

Nesta quinta, o Departamento de Defesa dos EUA emitiu um comunicado onde demonstra "grande preocupação e decepção" com a decisão do governo sul-coreano. 

Japão e Coreia são os prinicipais aliados de Washington economicamente, que enfrentam uma potente China e uma Coreia do Norte nuclear.

"Estamos totalmente convencidos que a integridade da nossa defesa mútua e de nossos laços de segurança devem ser mantidos, apesar da fricção em outras áreas das relações entre a Coreia do Sul e o Japão", disse um porta-voz no Pentágono. 

"Manteremos a cooperação de defesa bilateral e trilateral com Japão e Coreia do Sul até onde for possível", acrescentou.

O fim do pacto militar acontece depois de Seul ter anunciado, no início de agosto, que tiraria Tóquio de sua lista de parceiros comerciais confiáveis, em reciprocidade a uma medida adotada pelo Japão.

No começo deste mês, Tóquio havia imposto duras restrições às exportações de produtos químicos usados em semicondutores e telas, cruciais para gigantes do setor tecnológico, como a sul-coreana Samsung.

Nesta quinta, Seul deixou claro que vê as restrições impostas por Tóquio como sendo motivadas por uma "disputa histórica".

O governo sul-coreano "teve de reconsiderar a efetividade do GSOMIA, já que o Japão aplicou questões históricas a um assunto de segurança", disse uma fonte da Presidência à imprensa, pedindo para não ser identificada.

A querela levanta preocupações sobre suas possíveis implicações para a cooperação em segurança, diante dos testes de mísseis norte-coreanos, assim como em relação a seu impacto na cadeia global de abastecimento. / AFP

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