AP Photo/Ahn Young-joon
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Coreia do Sul vê aumento de casos graves de covid após reabertura

Com mais de 80% da população vacinada, Seul afrouxou restrições no começo de novembro e viu aumento de número de casos e mortes diárias

Andrew Jeong, The New York Times, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2021 | 12h00

Menos de três semanas após a Coreia do Sul relaxar medidas restritivas impostas pela pandemia e iniciar uma nova política de convivência com a covid-19, o país experimenta um aumento nos casos de coronavírus.

Nesta quarta-feira, 17, a nação asiática relatou um recorde de 522 pacientes hospitalizados com sintomas entre moderados e graves de covid-19, necessitando de cuidados intensivos, intubação ou oxigênio para ajudar na respiração. Também foram registradas 3.187 novas infecções no mesmo dia, o segundo maior número diário desde o início da pandemia.

O governo da Coreia do Sul começou a relaxar as restrições à pandemia em 1º de novembro, considerando que uma porção suficiente da população havia sido vacinada - cerca de 80% de seus 52 milhões de habitantes foram completamente imunizados, apesar de ter começado mais tarde do que muitos outros países ricos.

No mês passado, o país também começou a vacinar crianças de 12 a 17 anos e a fornecer doses de reforço para idosos e pessoas que trabalham em instalações médicas. Nenhuma vacina foi aprovada para crianças coreanas com menos de 12 anos.

Em sua primeira fase de afrouxamento das restrições, o país permitiu que bares, restaurantes e cafés ficassem abertos por mais horas (anteriormente, a maioria fechava às 22h); grupos privados de até 12 pessoas podem se reunir fora da área metropolitana de Seul (o limite em Seul é de 10 pessoas); e eventos esportivos profissionais estão autorizados a receber público nos estádios.

Mas o número crescente de casos gerou preocupação entre as autoridades de saúde.

O país vai parar de afrouxar as medidas se o número de casos continuar a aumentar, segundo Jeong Eun-kyeong, o principal oficial de controle de doenças do país, durante uma audiência parlamentar na semana passada.

Autoridades coreanas já haviam dito que o sistema de saúde poderia gerenciar 500 pacientes com covid-19 com sintomas graves a qualquer momento, sem sofrer grandes tensões. Esta quarta marcou a primeira vez que a Coreia do Sul ultrapassou o limite de 500 pacientes.

As mortes também têm aumentado. Em 1º de novembro, a média de sete dias para fatalidades diárias por coronavírus era de 12,3, de acordo com o Our World in Data. Esse número agora aumentou para cerca de 20.

Kim Woo-joo, especialista em doenças infecciosas da Universidade da Coreia, disse que os recentes surtos refletem a diminuição da imunidade contra o coronavírus entre aqueles que foram vacinados há vários meses. “É por isso que precisamos de doses de reforço”, disse ele em entrevista por telefone.

Autoridades de saúde disseram a repórteres na quarta-feira que a disseminação da variante delta causou aumentos nas infecções em lares de idosos e instituições de longa permanência, onde a maioria dos residentes eram idosos que receberam suas doses iniciais de vacinação no início do ano.

"Estamos vendo casos mais graves e mortes entre os idosos", disse Choi Eunhwa, chefe de um painel do governo que supervisiona a política de vacinas.

Embora as mortes diárias estejam aumentando, a taxa de mortalidade da covid-19 na Coreia do Sul é baixa - e caiu de 2,4% em maio de 2020 para menos de 0,8% agora, de acordo com o Our World in Data. Isso, dizem os especialistas, é em parte devido à taxa de vacinação.

"Isso mostra que as vacinas funcionam", disse Kim, o médico de doenças infecciosas da Universidade da Coreia. "Mas isso não é motivo para comemoração. O objetivo principal das vacinas é prevenir mortes. O número de mortes está aumentando".

"Se quisermos conviver com a covid-19 como um resfriado comum, a taxa de mortalidade dos casos deve cair para menos de 0,1%”, disse ele.

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