Coreia pode armar míssil com ogiva nuclear

Pyongyang já é capaz de miniaturizar arma, de acordo com estudo de inteligência dos EUA

CLÁUDIA TREVISAN, ENVIADA ESPECIAL / PYONGYANG, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2013 | 02h00

Um novo levantamento da inteligência do Pentágono a respeito da capacidade nuclear da Coreia do Norte conclui pela primeira vez - com um nível de certeza "moderado" - que o país asiático dominou a tecnologia para fabricar uma ogiva atômica pequena o suficiente para ser instalada em um míssil balístico. O documento foi revelado ontem pela imprensa americana.

Distribuída para altos funcionários de Washington e congressistas, a avaliação da Defense Intelligence Agency afirma que a eficiência do armamento "será baixa". Essa consideração se refere aparentemente à dificuldade de Pyongyang em desenvolver mísseis precisos ou aos enormes desafios tecnológicos envolvidos no desenvolvimento de uma ogiva que possa resistir ao voo e ainda detonar em um alvo específico.

O porta-voz do Pentágono, George Little, disse que não poderia dar detalhes sobre o relatório secreto, mas afirmou que "seria impreciso sugerir que o regime norte-coreano tenha plenamente testado, desenvolvido ou demonstrado o tipo de capacidade nuclear referido". Especialistas em defesa também contestam a avaliação.

A Coreia do Sul adotou ontem um tom conciliador e defendeu o diálogo na Península Coreana para amenizar a tensão que domina a região há mais de um mês. "Nós conclamamos a Coreia do Norte a não agravar ainda mais a crise", disse em Seul o ministro da Unificação, Ryoo Kihl-jae. Até ontem, o Sul rejeitava a possibilidade de negociação com Pyongyang.

A mudança de tom ocorreu depois da ameaça à sobrevivência do único símbolo remanescente de cooperação na península, o complexo industrial Kaesong, onde operam 123 empresas sul-coreanas. As atividades no local estão paralisadas desde o início da semana, quando 53 mil operários norte-coreanos deixaram de trabalhar por ordem de Pyongyang.

A Coreia do Norte colocou pelo menos um de seus mísseis ontem em posição de lançamento e a agência oficial de notícias do país voltou a afirmar que uma guerra pode começar "a qualquer momento". Mas enquanto o mundo aguardava o disparo, Pyongyang se voltava para as celebrações em torno da dinastia Kim, que comanda o país desde 1948 e possui uma aura de divindade.

O aumento da tensão na península estará no centro da visita que o secretário de Estado americano, John Kerry, realiza hoje à Coreia do Sul, em um tour que vai incluir China e Japão, que têm interesse imediato em manter a estabilidade na região. Altos funcionários americanos pediram ontem a Pequim que use sua influência para deter ações "desestabilizadoras" de Pyongyang.

Coreia do Sul, Japão e EUA mobilizaram baterias antimísseis para reagir ao esperado lançamento norte-coreano. O foguete só será derrubado se sua trajetória for direcionada para algum país, disse na terça-feira o almirante Samuel Locklear, que dirige o Comando dos EUA no Pacífico. O Ministério da Defesa de Seul acredita que o disparo será um teste ou um exercício militar. / COM NYT E AFP

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