Coreias acertam encontros entre famílias separadas pela guerra

Autoridades de Pyongyang e Seul definiram que encontros ocorrerão entre 20 e 25 de fevereiro

Choe Sang-hun - The New York Times,

05 de fevereiro de 2014 | 04h48

(Atualizada às 17h43) SEUL - Coreia do Norte e Coreia do Sul concordaram na quarta feira em organizar ainda este mês as reuniões de parentes, nas quais centenas de idosos de famílias separadas pela Guerra da Coreia poderão se encontrar pela primeira vez em seis décadas.

Pelos termos do acordo, estabelecido nesta quarta feira, 5, durante negociações com a Cruz Vermelha na fronteira entre os dois países, as Coreias concordam em organizar as reuniões de parentes entre 20 e 25 de fevereiro no resort Diamond Mountain no sudeste da Coreia do Norte, sinal de uma possível melhoria no clima hostil entre os antigos adversários.

As duas Coreias realizaram o último encontro de parentes em 2010, quando o programa humanitário foi interrompido em meio à piora nas relações entre ambas. A retomada das reuniões indica que os governos rivais estariam avançando no sentido de uma melhoria nas relações após tensões militares incitadas pelo teste nuclear realizado pela Coreia do Norte em fevereiro do ano passado e, mais recentemente, pela incerteza política em Pyongyang após o expurgo e execução de Jang Song-thaek, o número 2 na estrutura de comando do Norte.

Jang, tio e mentor do líder norte-coreano Kim Jong-un, foi executado em dezembro, acusado por Pyongyang de tramar para derrubar o governo do sobrinho. Apesar da agitação política interna, Kim pediu uma melhoria nas relações na dividida Península da Coreia em seu discurso de ano novo.

Em sua resposta no dia 6 de janeiro, a presidente sul-coreana Park Geun-hye insistiu para que Pyongyang provasse a sinceridade de suas palavras com "ações", indicando que, se o Norte concordasse com as reuniões de parentes, o governo dela aumentaria o envio de auxílio humanitário para o Norte. "Esperamos que o acordo de hoje seja implementado sem problemas, ajudando a aliviar a dor e a angústia das famílias separadas", disse o ministro da unificação da Coreia do Sul num pronunciamento na quarta feira. A Coreia do Sul planeja enviar uma equipe avançada de representantes ao resort Diamond Mountain ainda esta semana para verificar as instalações locais onde os coreanos idosos ficarão alojados durante a reunião temporária.

O conglomerado sul-coreano Hyundai construiu um resort ao redor da bela montanha norte-coreana, frequentada por turistas sul-coreanos até 2008, quando Seul suspendeu o programa em protesto contra o assassinato de um turista sul-coreano por parte de soldados norte-coreanos. As reuniões de parentes ainda são um tema que mexe com as emoções dos coreanos, consistindo num importante barômetro das relações na península dividida.

Tecnicamente, as duas Coreias continuam em guerra, pois os três anos da Guerra da Coreia terminaram numa trégua, mantendo milhões de pessoas separadas dos parentes pela fronteira mais vigiada do mundo. Telefonemas, cartas e trocas de e-mails são proibidos entre os cidadãos desses dois países. E, para as famílias que foram separadas pelo conflito, as reuniões que o governo organiza de tempos em tempos são a única oportunidade de encontrar os parentes há muito perdidos.

Entre 1985 e 2010 os dois governos realizaram 18 rodadas de reuniões do tipo, permitindo que 22 mil coreanos encontrassem os pais, irmãos e outros parentes pela primeira vez desde a guerra. Ainda há cerca de 73 mil sul-coreanos na lista de espera da Cruz Vermelha, dos quais metade tem mais de 80 anos. A Cruz Vermelha sorteia os participantes.

Nas reuniões planejadas para este mês, 100 pessoas de cada Coreia terão permissão para se reunir com centenas de parentes do outro lado. Nas semanas mais recentes, a Coreia do Norte reiterou o desejo de melhorar as relações com o Sul. Mas Seul e Washington temiam que a mais nova ofensiva diplomática do Norte não passasse de um prelúdio para nova rodada de provocações militares.

As reuniões planejadas ocorrem pouco antes dos jogos de guerra conjuntos que Coreia do Sul e Estados Unidos devem realizar no final de fevereiro. A Coreia do Norte culpa tais exercícios pelo aumento das tensões, mas Washington e Seul disseram que vão prosseguir, descrevendo suas manobras militares como exercícios defensivos./ Tradução de Augusto Calil

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