Coréias avançam para o entendimento

As duas Coréias deram neste domingo, 22, um novo passo em direção ao entendimento, depois que o Sul concordou em enviar 400 mil toneladas de arroz ao empobrecido Norte, sem que Pyongyang tenha se comprometido a avançar em sua desnuclearização.Depois de cinco jornadas de conversas, que se estenderam por um dia além do previsto, delegados dos dois Governos alcançaram em Pyongyang um acordo de dez pontos em matéria econômica que não cita a esperada desnuclearização, informou a agência sul-coreana "Yonhap".O Sul tinha advertido o Norte de que não enviaria as 400 mil toneladas de arroz a menos que o regime de Kim Jong-il avançasse no processo que captou a atenção mundial, mas o comunicado final não faz referência expressa ao desarmamento nuclear.No entanto, Chin Dong-soo, responsável pela delegação sul-coreana, indicou ao término do encontro que, durante as conversas, ficou "claro que será difícil entregar o arroz a menos que a Coréia do Norte atue para aplicar o acordo de 13 de fevereiro", alcançado em Pequim.Na ocasião, Pyongyang se comprometeu a fechar sua usina nuclear de Yongbyon em 60 dias em troca de ajudas internacionais em matéria energética, mas o prazo terminou há uma semana sem que o processo tenha começado, já que a Coréia do Norte alega que não teve acesso a seus fundos depositados em um banco de Macau.Na verdade, as divergências sobre o tema nuclear puseram em risco esta reunião econômica, pois os representantes da Coréia do Norte chegaram a abandonar a mesa de negociações por considerar que as exigências do Sul sobre seu desarmamento atômico não estavam incluídas na agenda.No entanto, apesar da falta de avanços no tema do desarmamento nuclear, o entendimento entre as duas Coréias progride, especialmente em matéria humanitária, embora ocorra lentamente e a tropeções, como costuma ser habitual nas negociações com Pyongyang.Hoje, ambos os países se comprometeram a realizar em 17 de maio o atrasado teste para ligar suas ferrovias através da fronteira na zona não militarizada.Este tema não é superficial, pois há um ano o teste previsto foi suspenso pela Coréia do Norte por questões de segurança.A falta de consenso a respeito da garantia de segurança das pessoas que trabalharão nesses testes técnicos foi o que estendeu por um dia a realização do comitê econômico intercoreano.As duas Coréias concordaram em debater as medidas de segurança em uma nova reunião em Kaesong (Coréia do Norte), nos dias 27 e 28 de abril.O tratado de armistício assinado ao término da Guerra da Coréia em 1953 exige o consentimento militar para atravessar a fronteira entre os dois países.Há um ano, a Coréia do Norte deteve esses testes ferroviários, faltando um dia para que começassem, após alegar falta de acordo entre os militares de um e outro país para garantir a segurança do pessoal que realizaria esse trabalho.Além disso, o acordo de dez pontos assinado hoje em Pyongyang assinala que a Coréia do Sul enviará ao Norte materiais brutos para confecção de roupas, sapatos e sabão, em troca de poder desenvolver os recursos minerais do país vizinho.A situação humanitária da Coréia do Norte é cada vez mais preocupante, segundo denunciam várias ONGs.O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) assegura que o país precisa de ajuda externa para alimentar a maioria de seus 23 milhões de habitantes e que a situação econômica se complicou pelo excesso de orçamento dedicado à defesa e às inundações ocorridas em julho do ano passado.A Coréia do Sul foi um dos grandes doadores de ajuda humanitária ao Norte. O auxílio foi retomado após o acordo assinado em fevereiro, em Pequim, depois de sua interrupção em função das provas com mísseis e do teste nuclear realizado no ano passado pelo regime de Pyongyang.

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