AP/Ahn Young-joon
AP/Ahn Young-joon

Coreias buscam acordo de paz após 65 anos

Guerra terminou com armistício assinado em 1953; agora, Seul tentará negociar com Pyongyang pacto para encerrar de forma oficial o conflito

O Estado de S.Paulo

18 Abril 2018 | 21h53

SEUL - A Coreia do Sul disse nesta quarta-feira que está estudando formas de transformar um armistício firmado em 1953 com a Coreia do Norte em um acordo de paz, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou ter enviado o diretor da CIA, Mike Pompeo, para uma reunião de alto nível inédita com o líder norte-coreano, Kim Jong-un.

Pompeo, indicado para assumir o Departamento de Estado, tornou-se o funcionário americano de mais alto escalão a se encontrar com Kim. Ele visitou Pyongyang para discutir um planejado encontro com Trump, que ocorrerá possivelmente no início de junho.

“Mike Pompeo se encontrou com Kim Jong-un na Coreia do Norte na semana passada. As reuniões foram muito boas e uma boa relação foi formada. Detalhes da cúpula estão sendo definidos agora. A desnuclearização será uma coisa ótima para o mundo, mas também para a Coreia do Norte”, disse Trump no Twitter. 

A visita de Pompeo foi o sinal mais forte até o momento da disposição de Trump de se tornar o primeiro presidente americano no cargo a se encontrar com um líder norte-coreano.

Coreia do Norte e Coreia do Sul também estão preparando a própria cúpula, entre Kim e o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, para o dia 27, e um dos principais objetivos do encontro, segundo Seul, é encerrar formalmente a Guerra da Coreia (1950-53).

“Um dos planos que estamos estudando é a possibilidade de transformar o armistício na Península Coreana em um regime de paz”, disse uma funcionária sul-coreana de alto escalão, quando questionada sobre a cúpula entre os vizinhos.

“Mas esta não é uma questão que pode ser resolvida só entre as duas Coreias. Ela exige consultas com outras nações envolvidas, além da Coreia do Norte”, afirmou.

A Coreia do Sul e uma força da ONU, liderada pelos EUA, ainda estão tecnicamente em guerra com a Coreia do Norte, já que o conflito terminou em uma trégua, não um tratado de paz. As Nações Unidas e os EUA, além dos governos chinês e norte-coreano, assinaram um armistício em 1953, do qual a Coreia do Sul não é signatária.

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As conversações entre as duas Coreias, e entre o regime norte-coreano e os EUA, teriam sido impensáveis no final do ano passado em razão dos meses de tensão crescente e do temor de uma nova guerra, provocados pelos testes nucleares e de mísseis norte-coreanos.

Na terça-feira, Trump declarou que dava sua “bênção” à busca de um acordo de paz, indicando que já estava ciente da intenção de Seul de apresentar a questão durante a cúpula do dia 27.

Alcançar um acordo de paz é uma tarefa difícil, pois tanto Pyongyang quanto Seul defendem a soberania total da Península Coreana e um tratado significaria um reconhecimento mútuo. O processo de distensão foi iniciado pelo presidente sul-coreano, que convidou a Coreia do Norte a participar ao lado da Coreia do Sul nos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang, em fevereiro. / REUTERS e AFP

 

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