Coréias concordam em recuperar ferrovia

A Coréia do Norte aceitou recuperar uma ferrovia e várias rodovias para o Sul nos próximos meses em troca de receber alimentos e fertilizantes, segundo uma declaração divulgada nesta sexta-feira na Coréia do Sul. O acordo foi fechado após três dias de negociações entre as Coréias encerradas hoje em Seul e que abriram caminho para a reconciliação entre os dois países. A estrada deverá estar pronta em novembro e a linha ferroviária até o final do ano. As duas Coréias estão separadas pela fronteira mais militarizada do mundo. A guerra entre as duas Coréias (1950-1953) terminou com um armistício, não com um acordo de paz. Mas em várias ocasiões os dois países firmaram grandes acordos ou fracassaram após as tensões se tornarem mais agudas. Um cúpula entre as Coréias em 2000 previa a construção da rodovia e da ferrovia transfronteiriças. A Coréia do Sul construiu sua parte das estradas, mas o Norte interrompeu as obras no início do ano passado em meio a tensões com os EUA, aliados de Seul. A iniciativa atual ocorre em momentos em que o regime comunista do Norte tenta restabelecer laços com o mundo, incluindo Japão e EUA. Os EUA estudam a possibilidade de mandar um enviado especial à Coréia do Norte, e funcionários japoneses se reuniram em Seul com colegas norte-coreanos para discutir a normalização de relações. O primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, pretende viajar para a Coréia do Norte em setembro, numa visita que não tem precedentes. Em troca do acordo ferroviário e rodoviário, o Sul entregará ao Norte 400.000 toneladas de arroz e 100.000 toneladas de fertilizante. As duas Coréias reiniciarão simultaneamente os trabalhos das estradas paralelas de ferro e de rodagem, nos setores leste e oeste da fronteira, em 18 de setembro, diz a declaração. Em Washington, os EUA deram apoio à visita que Koizumi fará ao líder norte-coreano Kim Jong-il, em uma mudança de enfoque da política exterior norte-americana em relação ao governo comunista da Península Coreana. É a primeira vez que os EUA aprovam a visita de um líder aliado a um dos países que compõem o denominado "eixo do mal" - composto pela Coréia do Norte, Irã e Iraque, segundo o presidente norte-americano, George W. Bush. "Acolhemos com satisfação os esforços do primeiro-ministro Koizumi para manter contatos com a Coréia do Norte", disse um porta-voz do Departamento de Estado. "Esperamos que a visita de Koizumi leve a uma solução rápida das questões importantes pendentes entre os dois países e contribua para a entrada da Coréia do Norte, se comportar com responsabilidade, na comunidade internacional".

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