Coreias do Sul e do Norte trocam tiros na fronteira

Panfletos com críticas ao governo norte-coreano de Kim Jong-un foram lançados do Sul e houve troca de disparos; não houve feridos

O Estado de S. Paulo

10 de outubro de 2014 | 10h04

SEUL - Militares das Coreias do Sul e do Norte trocaram tiros nesta sexta-feira, 10, após agentes norte-coreanos abaterem um balão de panfletos com críticas ao regime norte-coreano de Kim Jong-un. Segundo o Ministério da Defesa da Coreia do Sul, os oficiais do país responderam os disparos do Norte atirando em direção ao outro lado da fronteira.

De acordo com um alto funcionário do ministério, os tiros foram disparados contra a cidade fronteiriça de Yeoncheon, mas ele acrescentou que ninguém ficou ferido. Os militares de Seul responderam ao fogo depois de ouvir o som de metralhadoras do Norte, disse o funcionário.

Pyongyang divulgou na quinta-feira um comunicado dizendo que se a Coreia do Sul permitir que continuem a lançar panfletos para o seu território, isso iria prejudicar as relações intercoreanas, dias depois de uma delegação de alto nível do Norte ter visitado o Sul e concordado em retomar o diálogo.

"Se as autoridades da Coreia do Sul permitirem ou serem coniventes com o projeto de espalhar folhetos, as relações com a Coreia do Norte serão novamente levadas a uma catástrofe fora de controle e seus instigadores serão inteiramente responsáveis por isso", afirma o comunicado.

Ativistas da Coreia do Sul e desertores do país vizinho frequentemente soltam balões rumo ao norte com folhetos contrários ao regime de Kim. Nesta sexta, os ativistas lançaram dez balões, que continham 20 mil panfletos, mil notas de US$ 1, 400 DVDs e 300 pen-drives com propagandas contrárias ao governo norte-coreano.

"Essa é a primeira vez que a Coreia do Norte realmente adota uma medida contra os panfletos. Isso jogou água fria sobre a relação Sul-Norte, após a visita da delegação de alto nível do Norte. Vai prejudicar as relações de novo", disse Yang Moo-jin, professor da Universidade de Estudos Norte-Coreanos.

A escalada na tensão entre os países vizinhos ocorre em momento de grande especulação sobre o estado de saúde de Kim, que não comparece a eventos públicos há mais de um mês. Nesta sexta, pela primeira vez em três anos, o líder também não esteve no evento em celebração ao aniversário do partido que comanda o país. / AP e REUTERS

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