Coréias retomam diálogo econômico em Pyongyang

Uma delegação sul-coreana chegou nesta quarta-feira, 18, a Pyongyang, à capital da Coréia do Norte, para assistir a uma nova rodada de conversações econômicas, informaram fontes ligadas ao governo coreano.O encontro do comitê econômico intercoreano, que termina no sábado, 21, abordará a entrega de 400 mil toneladas de arroz pedidas por Pyongyang à Coréia do Sul na última reunião interministerial de março, além de testes das ferrovias que unirão os dois países.Seul deve condicionar o envio de arroz a Pyongyang ao início do processo de interrupção do programa nuclear prometido em 13 de fevereiro nas reuniões multilaterais ocorridas em Pequim.Naquela ocasião, o país comunista se comprometeu a fechar seu reator nuclear de Yongbyon em 60 dias em troca de ajuda energética. O prazo fixado para o fechamento da usina nuclear de Yongbyon venceu no sábado e não foi cumprido devido ao problema envolvendo os fundos que a Coréia do Norte depositou em um banco de Macau e que foram bloqueados pelos Estados Unidos.Seul, que tinha estudado a possibilidade de suspender o comitê econômico, decidiu participar da reunião para acelerar a suspensão nuclear norte-coreana, segundo as mesmas fontes.ReatorUma autoridade do setor de inteligência da Coréia do Sul disse nesta quarta-feira que foi observado aumento de atividade no reator nuclear da Coréia do Norte, que segundo a mídia local pode sugerir que está sendo desativado. Mas uma autoridade norte-americana disse que Washington não viu sinal algum de que a Coréia do Norte começou a fechar o reator de Yongbyon - fonte do plutônio capaz de equipar armas - conforme exigência do acordo de desarmamento feito em 13 de fevereiro. "Vimos uma atividade incomum ao redor do reator nuclear, então estamos seguindo e analisando", disse uma autoridade do Serviço Nacional de Inteligência, que pediu para não ter o nome divulgado. Mas ele afirmou que o governo não concluiu que isso significa, conforme sugestões na mídia local, que Pyongyang está adotando medidas para fechar finalmente o reator. Segundo o jornal Dong-A Ilbo, fontes da inteligência disseram que fotos de satélite mostraram aumento de movimentação de veículos e pessoas perto da instalação nuclear secreta. A autoridade norte-americana, que falou com a condição de manter o anonimato, disse que artigos na mídia da Coréia do Sul "não são exatos...Não vimos ações da parte da Coréia do Norte que neste ponto nos levem a acreditar que estão cumprindo sua parte das ações de 60 dias." Segundo acordo de 13 de fevereiro feito entre as duas Coréias, a China, o Japão, a Rússia e os EUA, Pyongyang teria até sábado passado para começar a fechar o reator e convidar de volta os inspetores da ONU. Mas o país recusou-se a agir até que tivesse acesso a verbas congeladas por mais de um ano em um banco de Macau. O presidente sul-coreano, Roh Moo-hyun, disse nesta quarta-feira que a questão do fechamento será resolvida. "Houve alguns problemas técnicos imprevisíveis que adiaram a implementação. Ambos os lados estão se esforçando e esses problemas estão quase resolvidos", afirmou em coletiva de imprensa. "O atraso não anulará o acordo", disse.

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