Coreias voltam a tentar acertar reuniões de famílias separadas por guerra

Países tentarão definir um local para a realização dos reencontros; Coreia do Sul e a do Norte estão tecnicamente em conflito há 60 anos

Efe

24 de setembro de 2010 | 03h50

SEUL - Representantes da Cruz Vermelha das duas Coreias se reúnem nesta sexta-feira, pela segunda vez em uma semana, na cidade fronteiriça norte-coreana de Kaesong, para preparar novos encontros de famílias separadas pela Guerra da Coreia (1950-1953).

Nesta nova reunião, as duas partes tentarão chegar a um acordo sobre o local de realização dos encontros de famílias separadas durante 60 anos de divisão do país, assim como o número de participantes, segundo disse à agência sul-coreana Yonhap um porta-voz do Ministério da Unificação de Seul.

Na reunião de sexta-feira passada, os sul-coreanos exigiram que o centro de encontros construído no monte norte-coreano de Kumgang seja a sede da próxima reunião de famílias, mas a Cruz Vermelha da Coreia do Norte não informou o lugar.

Pyongyang pediu, além disso, que cerca de cem famílias de cada lado sejam convidadas para as reuniões, enquanto a Coreia do Sul propôs a inclusão de um maior número de pessoas e reuniões regulares.

No entanto, especialistas sul-coreanos afirmaram que a Coreia do Norte poderia tentar abordar o reatamento do turismo no complexo Kumgang, paralisado desde julho de 2008 quando uma turista sul-coreana morreu baleada por um soldado norte-coreano.

Em abril, a Coreia do Norte confiscou os bens sul-coreanos na região, em protesto pela suspensão do turismo, que era uma das principais fontes de receita em moeda estrangeira para o país.

A última reunião de famílias coreanas aconteceu em setembro do ano passado. Estes encontros começaram a ser realizados em 2000, após a histórica cúpula em Pyongyang entre o então presidente sul-coreano, Kim Dae-jung, e o líder norte-coreano, Kim Jong-il.

As duas Coreias vivem uma moderada melhoria de relações após muitos meses de tensões pelo afundamento em março da embarcação sul-coreana Cheonan, em incidente que causou 46 mortes e que Seul atribui a um torpedo norte-coreano, o que é negado por Pyongyang.

Este mês, a Cruz Vermelha sul-coreana anunciou o envio à Coreia do Norte de cinco mil toneladas de arroz para atenuar o efeito das inundações de agosto no país comunista.

Os dois países estão tecnicamente em guerra, pois a Guerra da Coreia, encerrada em 1953, terminou com a assinatura de um armistício em vez de um tratado de paz.

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