REUTERS/Mike Hutchings
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Coronavírus ameaça serviços essenciais de saúde na África, diz OMS

Autoridades regionais da Organização Mundial da Saúde e especialistas locais temem que vírus fragilize ainda mais os sistemas de saúde do continente

Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2020 | 10h35

A diretora regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a África, Matshidiso Moeti, alertou nesta quarta-feira, 23, que o coronavírus ameaça serviços essenciais na saúde em países africanos, como campanhas de imunização e tratamento de outras doenças. O continente tem pouco mais de 25 mil casos e 1.200 mortes, mas os números avançam rápido. Os casos subiram 43% na última semana e as mortes, 38%. 

"Estamos preocupados com o fato de que, em alguns locais, as medidas de distanciamento físico impedem as pessoas de acessarem serviços de saúde que salvam vidas. Mesmo em tempos de lockdown, esses serviços essenciais devem continuar", afirmou. Em 2018, a África registrou 213 milhões de casos de malária e 360 mil mortes.

"As imunizações de rotina podem ser adiadas, mas precisam continuar", disse, citando ainda estratégias de prevenção contra doenças como febre amarela e poliomielite. Segundo Moeti, os casos dessas doenças podem elevar caso haja descuido ou foco total no novo vírus. Ela também alertou para a necessidade de os profissionais da saúde terem os equipamentos adequados para trabalhar, como máscaras e outros EPIs. 

A possibilidade de os Estados Unidos interromperem o financiamento para a OMS também foi lembrada na entrevista. O diretor do Centro de Controle de Doenças da Nigéria, Chikwe Ihekweazu, criticou a ideia do presidente Donald Trump. Segundo ele, o impacto será muito grande, já que dezenas de países da África não conseguiriam elaborar sozinhos o conhecimento técnico produzido e disseminado pela OMS.

"A OMS é fundamental para nossa sobrevivência coletiva. Se o financiamento for afetado, haverá um preço enorme para a humanidade pagar, e não só desse lado do mundo", explicou. "É preciso apoiar a OMS não só falando, mas financiando".   

Na quarta, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o novo coronavírus "nos acompanhará" por muito tempo, que não se poder ter complacência em seu combate e que é preciso ter uma comunicação clara e transparente sobre as estratégias adotadas em cada país. 

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