CLOTAIRE ACHI/ REUTERS
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Coronavírus eleva abstenção em eleição francesa e ameaça 2º turno

Participação em votação municipal ficou em 38,7%, enquanto em 2014 foi de 54,5%; direita deve perder mais votos

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2020 | 05h00

PARIS - A França registrou ontem abstenção recorde no primeiro turno das eleições municipais, mantidas apesar do avanço do coronavírus no país, que têm 4.500 infectados e 91 mortos. A participação ficou em 38,7%, ante 54,5% de 2014. 

Especialistas consultados pela AFP acreditam que os candidatos mais prejudicados serão os conservadores, uma vez que eles têm como base os eleitores mais velhos. A doença é mais mortífera entre idosos.

A realização do segundo turno, previsto para ocorrer dentro de uma semana, está indefinida. Segundo o constitucionalista Didier Maus, se a nova etapa da votação for adiada, os resultados do primeiro turno deveriam ser anulados. Os casos de infecção por coronavírus no país dobraram em 72 horas.

Sob críticas por não ter suspendido a votação, o presidente Emmanuel Macron afirmou que o objetivo era “manter a continuidade da vida democrática e das instituições”. Ele disse ter tomado a decisão após consultar cientistas que afirmaram, segundo o próprio Macron, “não haver nada que impedisse os franceses, mesmo os mais vulneráveis, de ir às urnas”. 

Na entrada dos 35.000 centros eleitorais do país, havia recipientes com gel antisséptico. No chão, foram coladas filas adesivas para que os eleitores mantivessem a distância de pelo menos um metro entre eles. 

“Se respeitarmos as regras antes e depois de votar, não há por que ter medo”, disse Vanessa Bouissou, de 40 anos. “Praticamente todos os eleitores trazem sua própria caneta para votar”, completou o mesário Daniel Mooser, comerciante aposentado de 74 anos.

Em Paris, a ex-ministra da Saúde Agnès Buzyn aparecia em terceiro lugar nas pesquisas, atrás da ex-ministra de Justiça de Nicolás Sarkozy, a conservadora Rachida Dati, e da atual prefeita, a socialista Anne Hidalgo, empatadas na dianteira. 

“Uma nova derrota após a registrada nas eleições europeias de 2019 seria uma mostra de os poderes mágicos de Macron já não são tão mágicos, o que pode despertar ambições de adversários para as presidenciais de 2022”, avaliou Bruno Cautrès, especialista da universidade Sciences Po./ AFP

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