Alex Edelman/AFP
Alex Edelman/AFP

Coronavírus eleva busca por bancos de alimentos nos Estados Unidos

Centros de doação de alimentos em diferentes regiões do país têm aumento de demanda

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2020 | 15h27

WASHINGTON - Desempregados e sem dinheiro devido à pandemia de coronavírus, milhões de pessoas ficam por horas em filas nos Estados Unidos para receber comida de graça. Os bancos de alimentos, que já atendem uma população vulnerável em tempos normais, estão agora multiplicando a distribuição, mas temem que não sejam capazes de lidar com a crescente demanda.

As mesmas cenas ocorrem em todo o país, de Nova Orleans a Detroit e Nova York, onde o governo local oferece café da manhã, almoço e jantar gratuitos em várias partes da cidade. São imagens de uma população que perdeu renda e aguarda a chegada de um cheque do governo federal, que aprovou no final de março um grande plano de apoio à economia. Mas para milhões de imigrantes sem documentos, principalmente de origem latino-americana, não haverá cheque, alertou o governo do presidente Donald Trump.

"Faz dois meses que não trabalho porque fui quase um dos primeiros que o vírus pegou. Não tenho emprego e também não tenho dinheiro", disse à AFP Domingo Jiménez, imigrante que ficou na fila por mais de três quarteirões no Queens, um dos bairros mais afetados pela covid-19 em Nova York. "Venho aqui buscar comida, seja o que for, porque estou praticamente sem nada", acrescentou.

Na terça, mais de mil veículos aguardavam na fila em uma distribuição organizada pelo banco de alimentos de Pittsburgh, Pensilvânia, cuja demanda aumentou 38% em março. Em oito operações como essa, foram entregues cerca de 227 toneladas de alimentos, explicou Brian Gulish, vice-presidente do banco de alimentos de Pittsburgh. "Muitas pessoas estão usando nossos serviços pela primeira vez", observou ele. "É por isso que as filas são tão longas. Eles não conhecem nossa rede de mais de 350 pontos de coleta no sudoeste da Pensilvânia"

Em Akron, Ohio, as necessidades dos bancos aumentaram 30%. "Ao longo dos anos, construímos uma cadeia de suprimentos que poderia atender a certas necessidades", disse Dan Flowers, CEO do banco de alimentos local. "Aumentar em 30% da noite para o dia é quase impossível." Os bancos de alimentos, incluindo as 200 afiliadas locais da rede Feeding America, estão recebendo doações excepcionais. 

O plano de apoio à economia prevê US$ 850 milhões em alimentos para esses bancos, disse Flowers, que espera obter os primeiros benefícios em junho. "O que me preocupa são as próximas seis a oito semanas", disse ele.

Como colaborador regular dos bancos, o gigante J.M. Smucker (que produz o café Folgers) fez doações adicionais em Ohio, e a Ugly Dog Distillery de Michigan doou um caminhão cheio de álcool gel em garrafas de bebidas alcoólicas, disse Flowers.

As doações também vêm em dinheiro, de pessoas anônimas ou até de Jeff Bezos, dono da Amazon e da maior fortuna do mundo, que ofereceu US$ 100 milhões à Feeding America. Sem as doações, "esses bancos de alimentos não seriam capazes de atender à demanda", disse Flowers, que está comprando 35% de seus suprimentos hoje, acima dos 5% em tempos normais, já que o restante vem de doações.

O Banco de Alimentos de Nova York, uma das maiores organizações da metrópole, também aumentou o volume de pedidos. "Se pedirmos novamente depois de uma semana, os preços podem ter subido e o prazo de entrega está aumentando exponencialmente", explica Zanita Tisdale, diretora da organização. Como muitos outros, essa organização não aceita voluntários para evitar a propagação do vírus. / AFP

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