Atta Kenare/AFP
Atta Kenare/AFP

Coronavírus, uma catástrofe para os taxistas de Teerã

Com mais de 5.700 mortes e 90 mil casos de contágio, segundo números mais recentes, o Irã é de longe o país do Oriente Médio mais atingido pela pandemia

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2020 | 08h00

TEERÃ - A epidemia do novo coronavírus é uma verdadeira "catástrofe" para os milhares de taxistas de Teerã, capital do Irã, o país do Oriente Médio mais afetado pela covid-19.

"Muitos táxis, nenhum passageiro", lamenta Mohamad, um taxista de 52 anos, mostrando as filas de carros amarelos que esperam para fazer uma corrida na estação Aryachahr, o grande terminal de transportes no oeste da capital.

Com a epidemia, a situação é uma "catástrofe" para a categoria, diz ele à AFP.

"Como pagar o aluguel, as contas de água, ou de luz, ou o carro", alugado ou comprado a crédito, pergunta seu colega Homayun, de 60.

Segundo Mohamad, as medidas de distanciamento social adotadas pelo governo estimulam as pessoas a não usarem o transporte público. Em Aryachahr, a maioria dos motoristas instalou uma tela transparente no compartimento de passageiros do veículo para isolar os passageiros.

Todos sonham com os clientes, enquanto desinfetam seu táxi pela enésima vez. 

Queda de 90% da renda

Segundo Alireza Qanadan, responsável pelas licenças do município de Teerã, a capital iraniana possui 80 mil motoristas de táxi autorizados.

Com mais de 5.700 mortes e 90 mil casos de contágio, segundo números mais recentes, o Irã é de longe o país do Oriente Médio mais atingido pela pandemia.

São os que mais sofrem junto com os "2.000 taxistas que operam nos dois aeroportos e nos terminais interurbanos", ponto de partida para outras províncias, disse Qanadan.

"Sua renda caiu 90%", completa.

Para combater o coronavírus, as autoridades proibiram as viagens de longa distância no final de março. Desde 20 de abril, os iranianos puderam voltar a viajar novamente entre as províncias, mas o movimento ainda está longe de voltar ao normal para os motoristas de táxi.

Em média, na capital, a renda diária "caiu 64%" em comparação com a situação anterior à crise da saúde, acrescenta Qanadan.

Os táxis de Teerã sofrem com o fato de que "muitas pessoas usam seu próprio carro para ir trabalhar por medo da doença", explica ele.

Além disso, o município favorece o uso do automóvel individual. Por causa do vírus, a prefeitura suspendeu as restrições de movimento nas áreas centrais de Teerã, impostas em tempos "normais" para combater a poluição.

Para táxis e motoristas particulares, a retomada progressiva da atividade econômica, autorizada desde 18 de abril em Teerã, leva tempo para produzir seus efeitos.

"Antes do coronavírus, eu esperava no máximo dez minutos para ter um passageiro, mas hoje em dia tenho que ficar em uma esquina da rua às vezes por duas horas", diz Bahram, de 37, motorista do Tapsi, um aplicativo iraniano equivalente ao Uber.

Para ajudar os taxistas, as autoridades locais estenderam suas licenças de trabalho gratuitamente, conta Qanadan, acrescentando que o governo também distribui artigos sanitários e "alimentos para os mais vulneráveis".

De acordo com dados da prefeitura, até agora, 13 taxistas morreram vítimas da covid-19. /AFP

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