Coronéis acusados de complô contra Correa são soltos no Equador

Governo equatoriano investiga a rebelião de policiais contra o governo ocorrida na quinta-feira.

Claudia Jardim, BBC

03 de outubro de 2010 | 13h03

Júlio César Cueva deixa a prisão em Quito ao lado da mulher

Três coronéis da polícia equatoriana, acusados pelo governo de tentar assassinar o presidente Rafael Correa, durante a rebelião policial da última quinta-feira, foram soltos na noite de sábado após permanecerem uma noite detidos.

De acordo com o procurador público Marco Freire, a prisão preventiva foi substituída por outras medidas de restrição como o impedimento de sair do país e a obrigatoriedade de se apresentar à Justiça quinzenalmente.

Os coronéis também são acusados de "negligência" por não terem evitado a rebelião policial.

"Todos os responsáveis serão sancionados penalmente, de acordo com a lei", afirmou Freire a jornalistas.

Investigação

Com a libertação, os três coronéis acusados poderão voltar ao trabalho. Dependerá agora da nova cúpula da polícia, se eles continuarão ou não exercendo suas funções.

O processo de "depuração" da polícia começou menos de 24 horas depois da rebelião. Ainda na sexta-feira, quando o diretor da instituição Freddy Martinez renunciou ao cargo. Outros cinco coronéis foram afastados.

"Sou inocente e meu trabalho continuará com a mesma dedicação", disse o coronel Júlio César Cueva, um dos acusados, ao deixar a polícia Judicial na tarde do sábado. "Meus subalternos estão em processo de investigação", acrescentou. O ministro de Segurança e Interior, Miguel Carvajal, disse à BBC Brasil, que a última etapa das investigações que devem apontar os responsáveis pela rebelião terá de ser feita pela própria polícia.

"Terão de fazer um processo de auto-depuração. Isso não foi só em Quito. Tivemos ação da polícia em todo o país", afirmou. O presidente equatoriano Rafael Correa disse que "não haverá perdão nem esquecimento" da rebelião que deixou oito mortos e mais de 200 feridos.

Ao mesmo tempo, o líder equatoriano, pediu à população para que se "respalde" a polícia, ao afirmar que a maioria dos insurgentes foi "usada" por "uma dúzia de maus elementos" para desestabilizar o país.

Correa afirma que a rebelião policial era parte de um plano para gerar caos no país, desestabilizar seu governo, a ponto de provocar uma guerra civil.

"Havia uma tentativa de desestabilização e de se iniciar uma guerra civil", afirmou Correa, durante uma reunião em Quito com os chanceleres da Unasul, na sexta-feira.

"Quero que fique claro que não foi uma reivindicação salarial. (...) Foi uma tentativa de conspiração", afirmou.

Correa acusa ao ex-presidente Lúcio Gutierrez de estar por trás da crise que sacudiu o Equador na semana passada.

"Quando chegamos ao regimento Quito (principal foco da rebelião) quem estava aí dirigindo (o protesto) por telefone? Nada mais, nada menos que o major Fidel Araújo", disse Correa no sábado, em referência ao um dos dirigentes do partido de Gutiérrez, Sociedade Patriótica.

Em entrevista à BBC Brasil, o ex-presidente equatoriano negou qualquer participação nos violentos protestos da semana passada.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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